Polícia
Federal mantêm camponês em cárcere privado
Rondônia,
05 de novembro de 2008
Desde
o dia 23 de outubro o camponês Gerolino Nogueira de Souza,
56 anos, está sendo mantido em cárcere privado pela
polícia federal. No dia 09 de setembro Gerolino foi preso
numa operação ilegal pela polícia militar ambiental
no distrito de União Bandeirantes. Mais de 30 policiais fortemente
armados atacaram as famílias indefesas no acampamento Nova
Conquista. Os policiais chegaram atirando contra os camponeses há
uma distância de 400m e depois de rendê-los humilharam,
agrediram e apontaram armas para cabeça de homens, mulheres
e crianças.
Não
bastasse isso, o comandante da operação major Josenildo
Jacinto Nascimento levou os camponeses presos para a sede da fazenda
Mutúm, onde pelo menos 6 deles sofreram tortura. Este episódio
aconteceu 9 dias antes de terminar o prazo dado pela justiça
federal para que o latifundiário-grileiro-empresário
Luis Carlos Garcia (Luis da Dipar) desocupasse a área uma
vez que as terras foram reconhecidas como sendo da União.
A
operação do batalhão ambiental da polícia
militar foi realizada sem ordem judicial e contrária a uma
decisão federal que reconheceu que a terra era da União
e concedeu imissão de posse ao Incra para o assentamento
das famílias.
Além
da polícia ambiental, atuaram pistoleiros fardados e policiais
militares e de Jaci-Paraná, União Bandeirantes e Mutúm-Paraná.
Ao todo foram presos 10 camponeses que foram enviados para o presídio
Urso Branco sem julgamento.
Os
camponeses foram libertados após uma campanha de denúncias
realizada por apoiadores, sendo que apenas Gerolino continuou preso,
mesmo sem ter cometido nenhum crime.
Após
ter sido mantido preso no Hospital João Paulo II acorrentado
numa cadeira por 7 dias e depois mais 37 dias no presídio
Urso Branco, Gerolino foi libertado no dia 23 de outubro, sendo
que havia um mandado de soltura desde o dia 26 de setembro.
Desde
então o setor de investigação ao crime organizado
da Polícia Federal e o INCRA estão mantendo em sigilo
sua localização e realizam interrogatórios
sem a presença de um advogado, com o pretexto de “protegê-lo”.
Uma comissão de professores, estudantes, advogados e apoiadores
tiveram que insistir por várias vezes para poderem falar
com Gerolino, o único que conseguiram foi uma conversa sob
a vigilância de agentes da PF.
A
Sra. Márcia Pereira representante do Incra e Comissão
Paz no Campo, está tentando iludir Gerolino com a promessa
de que irá assentá-lo em outra área e nada
diz sobre a entrega das terras as famílias acampadas.
Absurdo
dos absurdos!!! Toda esta ação é uma das mais
escandalosas que já ocorreu em Rondônia. Despejo e
prisões sem mandados judiciais, violência e tortura
da polícia contra os camponeses, prisão de réus
primários e sem julgamento no Presídio Urso Branco,
cárcere privado. Mas esta prática é regra e
de modo nenhum exceção em relação aos
pobres em Rondônia. Basta vermos a situação
do presídio Urso Branco, com superlotação,
casos e mais casos de torturas, prisões sem julgamento nem
acompanhamento jurídico, presos que já deviam estar
em liberdade. Situação gravíssima que pode
explodir a qualquer momento.
E
toda esta repressão do Estado a serviço do latifúndio
é ainda pior contra aqueles que como seu Gerolino ousam lutar
por um pedaço de terra e se opor a grileiros inescrupulosos
e policiais corruptos. Conclamamos a todos verdadeiros democratas
brasileiros a seguirem na luta pela liberdade do camponês
Gerolino.
Liberdade
imediata para o camponês Gerolino!
Punição imediata para os responsáveis pelas
torturas e prisões ilegais!
Entrega imediata das terras às famílias do Acampamento
Nova Conquista!
O povo quer terra, não repressão!
Liga
dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental
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