Liga Operária solidariza-se com os camponeses pobres e repudia as calúnias da venal revista “IstoÉ”


A Liga Operária solidariza-se com os camponeses pobres de Rondônia e com a LCP – Liga dos Camponeses Pobres, que tem sido alvos de orquestrada campanha difamatória, através de pseudo-reportagens da revista “IstoÉ” e outros órgãos financiados pelo latifúndio escravocrata. Ressaltamos a legitimidade da luta dos camponeses pobres por terra a quem nela trabalha e a premente necessidade de profunda transformação agrária no país. O Brasil só será justo com a democratização da propriedade da terra e o fim de 500 anos de domínio do arcaico latifúndio e da brutal exploração do homem do campo.

Consideramos fundamental a união dos trabalhadores do campo e da cidade, a aliança operário-camponesa para empreender um programa de transformações democráticas no país. O Brasil necessita de uma verdadeira democracia, onde os direitos do povo sejam respeitados e não essa miséria de milhões e desigualdade social; esse verdadeiro caos, como verificado agora na saúde pública, na crise de dengue do Rio de Janeiro e que se espalha no país; onde pobres morrem à míngua sem atendimento nos postos de saúde e hospitais. O governo restringe o direito à educação, a carga de impostos pesa sobre as costas do povo e o pelego-mor Luiz Inácio junto com o Congresso prepara ainda mais medidas antioperárias para pôr em vigor.

Repudiamos também as provocações da revista “IstoÉ” contra a nossa organização. A Liga Operária é uma organização sindical classista, independente, um movimento de luta para resistência econômica dos trabalhadores. Surgiu em setembro de 1995, formada por companheiros e companheiras com avaliação crítica sobre os rumos e prática do movimento sindical, defendendo o caminho da luta classista e do combate ao corporativismo e à colaboração de classes, tão característicos deste velho e falido sindicalismo brasileiro, representado pelas atuais centrais sindicais.

Hoje nos batemos contra a traição e o governismo das centrais, notadamente a CUT e Força Sindical, que tem sido dóceis instrumentos utilizados pelo governo FMI-Lula para impor, golpe a golpe e da forma mais dissimulada possível, a política de arrocho salarial e de cortes de direitos trabalhistas através das “reformas” antioperárias. Essas medidas e “reformas” antipovo e antinacional são exigências do capital financeiro imperialista para fazer frente à crise geral de seu sistema, através do aumento da exploração dos trabalhadores e da pilhagem das riquezas do país. Sendo assim, entendemos que somente uma luta decidida e massiva poderá barrar estes ataques contra o povo e a nação e esta deve ser a preparação de uma greve geral.

No dia 21/03/2003, em Brasília, a Liga Operária acompanhou lideranças da LCP – Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia, em uma audiência com o então Ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto. Participaram também o senador Amir Lando (PMDB-RO) e o deputado federal Eduardo Valverde (PT-RO). Nessa audiência foi exigida providência imediata contra os vários casos de bárbaros assassinatos, torturas e desaparecimentos de camponeses, cometidos por pistoleiros e policiais à mando do latifúndio no estado de Rondônia. Essas graves denúncias foram encaminhadas também para a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, a Procuradoria da Republica, o Ouvidor Agrário Nacional – Gersino José da Silva Filho, e à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Apesar da gravidade das atrocidades relatadas ao ministro e a outras autoridades do governo, até hoje nenhuma providência foi tomada contra os latifundiários da região que continuaram com seu império de terror, exploração e mortes.

A região amazônica bate recorde em trabalho escravo no país. Só no Estado do Pará, a atuação restrita do grupo de fiscalização móvel do Ministério do Trabalho, encontrou, no ano de 2007, 1.947 pessoas em condições de escravidão. O avanço do chamado agronegócio devasta a floresta amazônica, expande a escravidão na região e o governo, com a lei de aluguel da florestas, maximiza esta situação. Donos das grandes empresas madeireiras, de soja e de capim (criadores de gado), já podem "alugar" florestas inteiras dentro da lei. E o governo FMI-Lula segue sua política de favorecer o latifúndio, agora propondo renegociar as dívidas dos latifundiários que envolvem até 2 milhões e 155 mil contratos num total de R$ 56,3 bilhões. Os dados constam da proposta divulgada pelo ministério da Fazenda, no último dia 25 de março.

Já para os camponeses pobres nem mais a fracassada “reforma agrária” e especificamente para os trabalhadores rurais temporários, o governo decreta por medida provisória (MP 410/07) o fim da exigência da carteira de trabalho assinada, estabelece o pagamento de direitos trabalhistas (13º salário, férias, aviso prévio, etc.) embutidos no pagamento diário e cria mais dificuldades para a aposentadoria desses trabalhadores. É o caminho aberto para legalizar o trabalho escravo.

É nessa grave situação social que se busca criminalizar a luta dos camponeses pobres e dos
operários. Mentiras, calúnias e difamações são instrumentos habituais usados pela imprensa venal da qual “IstoÉ” é bem representativa e pelo pseudo-jornalista Alan.

Não é a primeira vez que essa revista de aluguel, financiada pelo latifúndio e setores mais reacionários do país, investe contra a Liga Operária. Em maio de 1999, com igual sensacionalismo, em matéria assinada pelo mesmo escriba de carreira sr. Alan Rodrigues, a “IstoÉ” estampava o seguinte: “Era só o que faltava! Liga Operária e Camponesa treina homens armados em vários pontos do País e já prepara atos violentos para desestabilizar o governo...” Matéria encomendada pelo então prefeito de Betim, Jesus Lima-PT, com o objetivo de transformar vitimas em réus e encobrir o crime do qual ele era o mandante: o assassinato de dois operários pais de familia - Erionides Anastácio dos Santos e Elder Gonçalves de Souza - trucidados pela PM durante violenta operação de despejo de um terreno vago da prefeitura ocupado por 200 famílias pobres, a Vila Bandeira Vermelha.

Repudiamos, mais uma vez, as falsas matérias da revista “IstoÉ”, bancada pelos latifundiários e ricos reacionários, que visam criminalizar a luta dos trabalhadores por seus direitos, açular a repressão e manter esta inaceitável situação de injustiças e terror contra os pobres.


Abaixo as mentiras, calúnias e difamações da imprensa vendida!

Abaixo a repressão a luta dos trabalhadores pobres do campo e da cidade!

Viva a luta classista, combativa e independente do nosso povo!

Terra para quem nela trabalha!


Belo Horizonte, 4 de abril de 2008

Liga Operária