Liga
dos Camponeses Pobres do Centro-Oeste
Mais
um trabalhador morre
no corte de cana
“E
assim, dia após dia, andaram os oito a vagar,
com uma fome que doía fazendo os filhos chorar.
Mas o que mais lhe doía era, com fome e sem lar,
ver tanta terra vazia, tanta cana a verdejar!”
(Ferreira Goulart)
No
último dia 08 de abril o trabalhador Francisco de Assis
Ferreira, de 46 anos, morador da comunidade rural Conquista dos
Palmares, que é apoiada pela Liga dos Camponeses Pobres
no município de Campina Verde, faleceu após ter
sofrido os efeitos colaterais de um “suco” ingerido
em função do trabalho no corte de cana na usina
CAMPINA VERDE BIONERGIA LTDA.
Para sugar até a última gota de suor dos trabalhadores
a Usina os expõe a um trabalho estafante e para agüentar
tal exploração estes são obrigados a ingerir
este “suco isotônico/energético”, o popular
“rebite” duas vezes ao dia, às 09:50h e às
14:00h.
Francisco de Assis passou mal enquanto trabalhava, por volta das
15:00h no dia 08/04 (terça-feira). Sentindo fortes cólicas,
câimbras abdominais, vômito e chegando a desmaiar,
chegou ao hospital debilitado, mas conseguindo falar. Só
foi atendido às 19:00h e logo em seguida veio a falecer.
Desde o ocorrido os trabalhadores estão receosos de tomar
tal substância.
Francisco deixa mulher e uma filha de 12 anos.
Ignorando o momento de dor da família e de seus companheiros
a usina exerceu forte pressão durante o velório
para que o corpo fosse enterrado o mais rápido possível.
Representada por uma psicóloga/assistente social e quatro
gerentes, a CAMPINA VERDE BIONERGIA LTDA. insistia em que o corpo
de Francisco fosse enterrado até às 14:00h do dia
09/04.
Mais três trabalhadores passaram mal no mesmo dia, apresentando
os mesmos sintomas e tendo ficado internados no mesmo Hospital
de Campina Verde durante cerca de 24 horas.
Após reclamação destes trabalhadores o Ministério
do trabalho notificou à delegacia de polícia de
Campina Verde para que se investigasse a causa da morte de Francisco.
E somente por pressão de seus companheiros, do advogado
da Liga dos Camponeses Pobres e pela notificação
da DRT de Uberlândia, o corpo foi levado para o IML de Ituiutaba
por volta de 19:00h do dia 09/04, para autópsia.
O corpo retornou para Campina Verde e foi sepultado às
03:00h da madrugada do dia 10/04 diante da presença de
seus companheiros que esperavam para prestar sua última
homenagem, imbuídos de sentimento misto de pesar e revolta.
Infelizmente
sabemos que este não é o primeiro caso nem
será o último! As terras do Triângulo
Mineiro estão tomadas pelos usineiros (os heróis
do gerente Lula) que querem transformá-las num deserto
verde de cana para atender a demanda de etanol do imperialismo
norte americano.
Os
usineiros têm promovido uma constante procura de “mão
de obra” barata, através das filas de desempregados.
As agroindústrias, em boa parte movidas por capital
estrangeiro, têm devastado nossas reservas e áreas
verdes em grande escala, bem como levado à degradação
do solo por conta da monocultura. Ao lado dessas empresas
imperialistas estão os latifundiários que
detém terras a perder de vista, enquanto homens,
mulheres e crianças vivem nas ruas sobrevivendo do
lixo e da mendicância.
Chega
de salário de fome e escravidão! Morte ao
latifúndio! A sua riqueza se baseia em nossa miséria,
sua alegria em nossa dor!
È por isto que afirmamos que REBELAR-SE É
JUSTO! Não podemos aceitar ser tratados como gado!
Não somos máquinas, às quais se trocam
peças. Somos de carne e sangue, suor e coragem! Coragem
para exigir o que é nosso. Todos os nossos direitos
serão cobrados!
A
Revolução Agrária é a única
que poderá tirar o povo da miséria! Precisamos
distribuir todas as terras para os camponeses pobres sem
terra ou com pouca terra para plantarem e sustentarem suas
famílias, exercendo uma democracia de verdade!
Conclamamos a todos os camponeses a juntos dar um grito
de liberdade: Por uma NOVA DEMOCRACIA capaz de nos dar pão,
terra e liberdade!
TERRA
PARA QUEM NELA TRABALHA!
VIVA A REVOLUÇÃO AGRÁRIA!
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