Retransmitimos matéria publicada no site Agência Amazônia de Notícias

Líder de trabalhadores rurais é morto a tiros em Tucuruí

Dois motoqueiros matam Raimundo Nonato. Em Rondônia, prossegue a reforma agrária dos camponeses.


BELÉM, PA – A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) repudiou, em nota, a morte do secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Tucuruí (PA), Raimundo Nonato da Silva. Raimundinho, como era conhecido, foi baleado numa emboscada, quinta-feira, por dois motoqueiros, em Tucuruí. Vinha recebendo ameaças de morte e fazia parte da macabra lista dos “marcados para morrer” criada por latifundiários e madeireiros.

A relação de nomes divulgada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) contém cerca de 260 dirigentes sindicais, lideranças populares, religiosas e indígenas, advogados que lutam pela reforma agrária e ambientalista. Raimundo Nonato atuava há 28 anos na defesa dos interesses dos trabalhadores e trabalhadoras rurais. Ele sempre lutou pelos direitos dos ribeirinhos atingidos pela barragem de Tucuruí e atualmente colaborava com a implantação de projeto de manejo nos assentamentos.

O sindicalista também vinha denunciando os madeireiros envolvidos na retirada ilegal de madeiras, em especial, nos projetos de assentamentos. A Contag solicitou nesta sexta-feira, 17, uma reunião em caráter de urgência com o ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e reivindicou que o ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, seja designado para acompanhar pessoalmente a situação em Tucuruí.

A direção da Contag requereu, ainda, ao Governo do Estado do Pará rigor e agilidade na condução do inquérito da Polícia Civil, prestou solidariedade à família do sindicalista assassinado e destacou um representante para participar do enterro marcado para esse sábado (18/4), às 10h, em Tucuruí.

“O Movimento Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais considera inadmissível que sindicalistas e lideranças populares continuem sendo assassinadas em pleno Estado Democrático de Direito. Não podemos aceitar a impunidade dos crimes de opinião. O companheiro Raimundinho foi assassinado porque defendia a vida dos ribeirinhos e de nossas florestas”, denunciou o secretário eleito de Política Agrária da Contag, Willian Clementino.