Reproduzimos
nota de denúncia publicada pela Comissão Nacional
das
Ligas de Camponeses Pobres
Abaixo
a criminalização
da luta camponesa
No
sul do Pará, os camponeses são violentamente atacados
pelas milícias do banqueiro e latifundiário Daniel
Dantas, conforme reconhece o próprio Ministro da Secretaria
Especial de Direitos Humanos (Paulo Vannuchi, 11/11/09, MST), como
pela polícia militar do Pará (CPT, 09/11/09).
A
Polícia Civil do Pará pediu a prisão preventiva
do coordenador do MST no Pará, Charles Trocate (Folha Online,
06/11/09). A governadora Ana Júlia, PT, afirmou que “o
MST declara inclusive que perdeu o controle, portanto ele confessa
que participou” (O Globo, 06/11/09); estas declarações
se referem à resistência dos camponeses aos ataques
das milícias dos latifundiários a serviço das
fazendas do grupo Santa Bárbara, de Daniel Dantas, quando
os camponeses se manifestavam em frente às sedes dos latifúndios
parcialmente ocupados.
O
Tribunal de Justiça do Pará, TJ-PA, admitiu, por 21
votos a favor e 1 contrário, pedido de intervenção
federal no Estado, acusado por entidades de produtores rurais de
não cumprir liminares de reintegração de posse
(Agência Estado, 12/11/2009).
Em
Minas Gerais, o Tribunal de Justiça condenou João
Batista da Fonseca, da Coordenação Nacional do MTL
e presidente do PSOL em MG, e Wanduiz Evaristo Cabral, da Coordenação
do MTL e Executiva Estadual do PSOL/MG; também foi condenada
em primeira instância a advogada e coordenadora do MTL, Marilda
Ribeiro, tudo isso em função da vitoriosa luta pela
desapropriação da Fazenda Tangará, em Uberlândia,
ocorrida entre os anos 1999/2000 (MTL, Movimento Terra Trabalho
e Liberdade, 03/11/09)
Enquanto
isso, no apodrecido Congresso Nacional, os latifundiários
emplacam a CPI para investigar MST.
Manifestamos
nossa irrestrita solidariedade e apoio aos companheiros e suas organizações
atacados e criminalizados por esta “justiça”
desmoralizada deste velho Estado burguês-latifundiário
serviçal do imperialismo.
A
reação quer afogar em sangue e confinar na cadeia
as massas camponesas que resistem e lutam, diante do fracasso completo
e da desmoralização do que seria uma “reforma
agrária” levada a cabo pelo velho Estado, situação
evidenciada no gerenciamento do oportunismo chefiado por Luiz Inácio.
O
nível de radicalização desta ofensiva reacionária
pode ser medido pelo pedido de intervenção no Pará,
onde a governadora Ana Júlia, PT, foi publicamente elogiada
pela corja latifundiária após desencadear, com o apoio
do Ministro da Justiça, Tarso Genro, a operação
“Paz no Campo”, em novembro de 2007, contra a Liga dos
Camponeses Pobres, que prendeu, humilhou e torturou dezenas de homens
e mulheres. Tendo como alvo os camponeses que lutavam pela Forkilha
(símbolo do trabalho escravo no sul do Pará), centenas
de famílias que se animaram a lutar na região pela
terra e pela bandeira da Revolução Agrária,
a Operação “Paz no Campo” foi a maior
e mais complexa operação militar de reintegração
de posse levada a cabo na região desde os tempos de combate
à “Guerrilha do Araguaia”. No seu rastro mais
de 13 camponeses foram friamente assassinados e culminou, em junho
deste ano, na execução do companheiro Luiz Lopes,
liderança histórica do movimento camponês do
Pará e Coordenador da Liga dos Camponeses Pobres do Pará
e Tocantins. Tudo isso sob um silêncio sepulcral de diversas
entidades e autoridades, e da cínica manifestação
da governadora Ana Júlia PT em negar as torturas que ocorreram
então, mesmo com as denúncias da SDDH e da comprovação
de tais acontecimentos pela Comissão de Direitos Humanos
da Assembléia Legislativa do Pará e pela Defensoria
Pública Agrária!!!
O
nível de radicalização desta ofensiva reacionária,
da qual o gerenciamento oportunista a nível federal e estadual
é cúmplice e agente, já havia se manifestado
no começo do ano. Foi quando o judiciário (Gilmar
Mendes), o legislativo (Sarney e Temer) e o executivo (Luiz Inácio),
condenaram publica e histericamente como sendo assassinos os camponeses
de um assentamento do MST em Pernambuco. Tudo porque reagiram a
um ataque de pistoleiros, que desta feita levaram a pior, sendo
que quatro foram justiçados. Nenhuma destas vozes se levantou
quando, pouco mais de dois meses depois, 05 camponeses foram assassinados
por pistoleiros no mesmo estado de Pernambuco!
O
que o nível de radicalização desta ofensiva
reacionária revela, por outro lado, é a profunda crise
do velho Estado burguês-latifundiário serviçal
do imperialismo no Brasil. Crise aguçada pela crise geral
do capitalismo, pela disputa e conformação de alianças
para abocanhar o gerenciamento do Estado como necessidade das classes
dominantes para manter sua velha ordem, diante de um quadro de aumento
da miséria e exploração das massas pobres,
no campo e na cidade. A criminalização da luta camponesa
e das massas pobres nas grandes cidades é a resposta do velho
Estado ao crescente descontentamento que explode com revoltas populares
cada vez mais constantes nas cidades.
E
no campo, a conseqüente denúncia da criminalização
da luta dos camponeses pobres passa também pelo apoio irrestrito
aos camponeses que lutam pela terra! Pelo rechaço contundente
dos que acusam os camponeses de baderneiros ou de “passar
dos limites”! Passa pela denúncia da política
de “preservação ambiental” do imperialismo
deliberadamente aplicada sob as mais cínicas justificativas!
Pelo rechaço à entrega de nosso território
à sanha das mineradoras e exploradores de nossas riquezas
naturais! Passa pela denúncia do latifúndio de velho
e novo tipo que condena a nação à condição
de exportadora de produtos primários! Passa pela denúncia
dessa “reforma agrária” latifundiária,
que confina os camponeses pobres em cativeiros chamados pomposamente
de “assentamentos”, onde deveriam viver eternamente
arruinados e submissos aos latifúndios que os cercam! Passa
pelo desfraldar a bandeira da Revolução Agrária!
Que
todos os verdadeiros democratas radicalizem a denúncia da
criminalização da luta camponesa! As massas camponesas
pobres resistem e lutam! E são atacadas odiosa e violentamente
pela reação por que a luta dos camponeses pobres é
a luta de todo o povo pela soberania nacional e por uma verdadeira
e nova democracia!
·
Abaixo a criminalização da luta camponesa!
·
Solidariedade a todos os camponeses e suas organizações
criminalizados e atacados pela “justiça” do velho
Estado!
·
Viva a Revolução Agrária!
Comissão
Nacional das
Ligas de Camponeses Pobres
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