Viva o exemplo de luta do advogado do
povo Gabriel Pimenta

O
companheiro Gabriel Sales Pimenta, jovem consciente das
lutas do seu tempo, é um exemplo de dedicação
às lutas do povo. Formado advogado, se dedicou a apoiar as
lutas e a organização dos camponeses e trabalhadores
no estado do Pará. Teve atuação destacada na
defesa dos camponeses pobres e também mobilizou os operários
de Marabá para a organização e criação
do Sindicato dos Trabalhadores da Construção.
Nasceu no dia 20 de novembro de 1955, na cidade
de Juiz de Fora/MG, filho de Geraldo Gomes Pimenta e Maria da Glória
Sales Pimenta. Com apenas 27 anos de idade, foi assassinado no dia
18 de julho de 1982, em Marabá, a mando do latifundiário
grileiro Manoel Cardoso Neto, conhecido como Nelito (irmão
do ex-governador Newton Cardoso e que vive protegido em uma de suas
fazendas). Seus assassinos – o grileiro mandante e o pistoleiro,
que lhe desferiu três tiros pelas costas – nunca foram
julgados e, por isso, nunca foram punidos. Este crime bárbaro
permanece impune até hoje, asssim como muitos outros cometidos
no Pará, sempre apoiados no silêncio cúmplice
das ditas autoridades.
Gabriel Pimenta é mais um mártir na luta dos camponeses
pobres contra o latifúndio. Seu covarde assassinato aconteceu
durante a luta dos camponeses da Vila Pau Seco pela posse da terra.
Lá viviam, há anos, 158 famílias de camponeses
e o latifundiário pretendia expulsá-las da terra,
a qualquer custo. Para isso, conseguiu uma liminar de reintegração
de posse. Mas Gabriel Pimenta, em apoio à organização
e à luta dos camponeses, fez com que essa liminar fosse revogada
através de um mandato de segurança e exigiu que a
própria polícia militar, que antes havia feito o despejo
dos camponeses, os reconduzisse de volta à Vila Pau Seco,
onde estão até hoje.
A partir desses acontecimentos, Gabriel passou a ser ameaçado
de morte por Nelito, que teria comentado na cidade que até
o dia 14 de agosto de 1982, data da nova audiência para julgar
o novo pedido de reintegração de posse a seu favor,
o advogado estaria morto. Menos de um mês antes da data, Gabriel
Pimenta foi assassinado a mando do latifundiário.

O profundo compromisso de Gabriel com o povo pobre do sul do Pará
em luta pelos seus direitos pisoteados, e, em particular, com os
camponeses pobres em luta pela terra para quem nela trabalha, marcou
toda a atividade desenvolvida por ele no estado. Tanto que, após
seu covarde assassinato, os camponeses da Vila Pau Seco pediram
à sua família que ele fosse enterrado em Marabá,
para que permanecesse junto deles, na luta que continuou.
No seu funeral, os camponeses escreveram uma faixa muito significativa:
“Gabriel Pimenta, ao te matarem te multiplicaram e agora seremos
milhões”, porque, como disseram também,
“quem morre pelo povo, no povo viverá”.
Anos depois de sua morte, a história e o exemplo de Gabriel
Pimenta seguem impulsionando a dura luta dos camponeses pobres no
sul do Pará. Seu nome é a referência maior,
no Brasil, do Núcleo de Advogados do Povo, o NAP, que o tem
como norte, moral e profissional, na defesa atual dos direitos do
povo.
Na passagem de seu aniversário – Gabriel estaria completando
agora 53 anos de vida – a Liga Operária se une ao Cebraspo
e demais entidades democráticas, celebra sua memória
reafirmando o compromisso de lutar pela justiça, pão,
terra e liberdade, e combater a crescente criminalização
das lutas populares e a repressão brutal do Estado que se
abate contra o povo – principalmente contra os camponeses
pobres do sul do Pará.
Companheiro
Gabriel Pimenta! Presente!
Marabá,
Marabá,
plantaram Gabriel
no teu ventre de ferro,
no teu ventre de ouro
e de esperança,
para que surja
quanto antes
a brigada do futuro.
(Estrofe do
poema escrito por Benedito Monteiro, em homenagem a Marabá
e a Gabriel)
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