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O
estudante Eduardo dos Santos, de apenas 16 anos, foi mais
uma vítima da ação do Exército
e da Polícia Militar que semeou o terror nas favelas
da cidade do Rio de Janeiro, no mês de março,
em uma suposta ação para recuperar armas roubadas
de um quartel. Órfão de pai e mãe, Eduardo
foi criado pela avó materna, com quem morava no bairro
de Santa Isabel, em São Gonçalo. No dia 6 de
março, Eduardo tinha ido ao morro do Pinto se inscrever
em um curso de fotografia ministrado na favela pela prefeitura.
Ele deixara a casa em que vivia com a avó com o amigo
Marco Aurélio de Lima, 18, que também se inscreveria
no curso. Lima diz que, ao chegarem no centro, ouviram os
tiros disparados na favela da Providência. Foram até
o mirante ao lado para observar o que ocorria. Ao encostar
em um gradil, Eduardo foi atingido.
Eduardo foi atingido nas costas e na mão direita por
tiros de fuzil. Segundo Roger Ancillotti, diretor do Instituto
Médico-Legal, o tiro nas costas foi de longa distância.
Segundo Marco Aurélio Damião de Lima, de 18
anos, que estava com Eduardo, o tiro partiu de uma das ruas
que dão acesso à Providência, que está
ocupada por militares. A delegada da 4 DP (Central), Evanora
Gomes de Moraes, disse que o jovem não tinha antecedentes
criminais. As duas balas atravessaram o corpo do jovem.
Cerca de 300 metros separam o local onde o jovem estudante
recebeu os disparos fatais (mirante do morro do Pinto) do
acesso à Providência pelo Conjunto Habitacional
Vila Portuária. Do mirante, avistava-se a ação
do Exército no acesso à favela. Um tiro de fuzil
pode atingir um alvo a 3.800 metros de distância. Às
9h, os cerca de 50 militares que estavam ao lado do conjunto
habitacional dispararam vários tiros. Um deles atingiu
o rapaz. O Morro da Previdência, segundo os historiadores,
é onde foi estabelecida a primeira favela do Rio de
Janeiro por sobreviventes do massacre de Canudos que chegaram
à cidade.
Favelas
sob ocupação militar
Desde
o dia 3 de março, tropas do Exército ocuparam
pelo menos onze favelas onde estão situadas algumas
das maiores e mais pobres comunidades do Rio de Janeiro. Desde
1992, de tempos em tempos são realizadas operações
militares sob argumento de combate ao narcotráfico.
A novidade desta vez é que uma mega-operação
- com cerca de 1,6 mil soldados, contingente maior do que
o deslocado pelo Ministério da Defesa para compor a
missão da ONU no Haiti - foi montada não para
atender a uma operação conjunta de segurança
pública, como das vezes anteriores, mas para recuperar
dez fuzis e uma pistola do Exército que foram roubados
pelos traficantes depois do Carnaval.
Criminalização
da pobreza
Os
efeitos da presença dos soldados para os moradores
das áreas ocupadas também já são
motivo de críticas. Dirigente histórica do grupo
Tortura Nunca Mais, onde hoje ocupa a vice-presidência,
Cecília Coimbra lamenta a repetição de
um velho filme: “Assistimos à reedição
da justificativa de que é preciso aumentar a repressão
para lutar contra o crime organizado. Manipulam a opinião
pública ao sugerir que estão trazendo mais segurança
quando, na prática, estão aumentando a insegurança
da população mais pobre. Em ano eleitoral, a
sensação que tenho é de uma grande mise
en scène”, disse.
Autora
do livro “Operação Rio: O mito das classes
perigosas (Ed. Oficina do Autor / Intertexto – 2001),
que analisa criticamente as operações Rio I
(1994) e Rio II (1995), quando o Exército ocupou as
ruas da cidade por semanas, Cecília lamenta que os
moradores das favelas, como sempre, já tenham começado
a pagar a conta: “É a política da criminalização
da pobreza, onde todo pobre é um perigoso em potencial.
A presença do Exército é inspirada na
doutrina de segurança nacional da ditadura militar,
que está associada à política de tolerância
zero dos governos de Garotinho e Rosinha”, disse.
Tiroteio,
granada e morte
A
atual ação militar nas ruas do Rio de Janeiro
começou nas primeiras horas de sexta-feira (3), depois
que um grupo de traficantes invadiu o Estabelecimento Central
de Transportes do Exército (ECT), no bairro de São
Cristóvão, e roubou dez FALs (Fuzil de Assalto
Leve) calibre 7.62 e uma pistola 9mm. Inicialmente, o CML
deslocou cerca de 500 soldados para a comunidade Nova Brasília,
uma das muitas que formam o Complexo do Alemão. Nos
dias seguintes, entretanto, a operação foi se
transformando numa ação de asfixia atingindo
indistintamente a todos moradores dos bairros pobres.
Na terça-feira (7), o Exército contabilizava
quase mil e seiscentos soldados em dez comunidades (Mangueira,
Providência, Complexo do Jacarezinho, Parque da Alegria,
Dendê, Complexo de Manguinhos, Vila dos Pinheiros, Vila
Formosa, Selva de Pedra e Parque Arará), além
do Complexo do Alemão. A operação, segundo
o CML, não tem data para terminar e ainda pode contar
com o reforço de outros soldados e oficiais da Brigada
de Operações Especiais (Goiânia) e do
Agrupamento de Infantaria (Brasília): “A operação
deve durar mais tempo do que a tropa do Rio agüentaria”,
afirmou ao jornal O Globo o coronel Fernando Lemos, relações
públicas do CML.
Moradores
acusam militares de violência
Toque
de recolher a partir das 20h, crianças revistadas com
grosseria, adultos estapeados, casas e comércios invadidos
e depredados, proibição de uso da quadra de
esportes, restrição à circulação
das Kombis comunitárias. Tudo isso vem acontecendo
no morro da Providência desde a ocupação
do Exército, segundo moradores ouvidos pela imprensa.
A
revolta dos moradores com a ação militar é
grande. O comerciante Paulo Mariano dos Santos, 25, mostrou
ao reporter do jornal “Folha de São Paulo”
marcas de tiros nas máquinas de música e de
jogos eletrônicos que mantém em seu bar no largo
da Igreja, na parte alta do morro. "Os soldados atiraram
nas máquinas com fuzil.", afirmou ele. Além
de perder as máquinas, o dono do bar disse ter sido
alvo de tiros. "Eles chegaram a atirar contra mim. Corri
para a casa do meu pai. Eles queriam entrar, e o meu pai não
deixou. Então eles quebraram as lâmpadas e arrebentaram
a madeira da janela com coronhadas de fuzil", disse.
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Com
vertentes voltadas para o centro e para a zona portuária,
a Providência, ensinam os historiadores, foi a primeira
favela a surgir no Rio, no fim do século 19. Hoje,
a venda de drogas é controlada por traficantes vinculados
ao CV (Comando Vermelho). O morro foi ocupado pelo Exército
como parte da operação montada para localizar
armas roubadas de um quartel na sexta-feira passada.
O Censo 2000 do IBGE indica que há na favela 3.443
moradores. A presidente da Pró-Favela da Providência
(associação de moradores do morro), Márcia
Regina da Silva, contesta esse número. Segundo ela,
9.000 pessoas habitam a comunidade.
Protesto
A
dirigente comunitária liderou um protesto de moradores
realizado no fim da noite do dia 9, em frente à sede
do CML (Comando Militar do Leste), localizada diante do morro.
O ato ocorreu após militares atirarem. Segundo o Exército,
a tropa reagiu ao ataque de traficantes do morro vizinho,
onde, no início da semana, baleado no peito, morreu
Eduardo dos Santos.
"Não houve traficante atirando no Exército.
Os militares é que atiraram para o alto, a fim de criar
um pretexto para barbarizar a comunidade", reclamou a
moradora Márcia Alves.
Após os tiros, os militares passaram a percorrer os
becos na parte alta da favela em busca de criminosos. "Foi
horrível. Eles chamavam os trabalhadores de vagabundos
e as crianças, de semente do mal", afirmou a balconista
Luíza da Silva, 28, que disse ter visto o filho, de
sete anos, ser obrigado a abaixar o calção para
que os militares o revistassem.
Pobre
virou alvo do exército
Sem se identificar, um homem disse que na localidade do Barão
um senhor de mais de 60 anos foi esbofeteado porque impedia
os militares de entrarem em seu barraco sem ordem judicial.
Como o Exército montou o quartel-general na casa ao
lado da quadra de esportes, crianças e jovens estão
impedidos de usá-la.
"Queremos a quadra de volta para jogar futebol",
pediu o estudante Artur de Souza, 15.
A cozinheira Bernadete Moreira, 51, reclama que, com os bloqueios,
as Kombis comunitárias não chegam mais até
o alto da favela. "Estamos subindo a pé por causa
dos militares. Isso é desumano", protestou.
Os moradores queixam-se ainda que, desde que o Exército
chegou ao morro, no fim de semana passado, vigora um toque
de recolher informal. "A partir das 20h, eles mandam
todo mundo entrar. Quem fica na janela é xingado e
até agredido", afirma o camelô Antônio
José da Silva, 30.
A presidente da associação disse que se a violência
continuar a população do morro voltará
a protestar diante do CML.
Tiroteios
se intensificam no morro da Providência e revolta de
moradores cresce
No
dia 10 de março, pelo terceiro dia consecutivo, houve
intensos tiroteios na favela da Providência. Os confrontos
acontecem na favela que fica em pleno Centro do Rio, a menos
de 500 metros das sedes da Secretaria de Segurança
e do Comando Militar do Leste (CML). À noite, uma bala
perdida feriu Genílson dos Santos Batista, de 12 anos,
durante um tiroteio. O adolescente sofreu fratura exposta
no braço esquerdo e foi levado numa caminhonete do
Exército para o Hospital Souza Aguiar.
Bebê
é ferido em casa durante ação militar
Uma criança de apenas 26 dias e outras três pessoas
ficaram feridas no morro da Providência (zona portuária
do Rio), que enfrentou na madrugada e manhã do dia
10 o mais intenso tiroteio em uma semana de operação
militar em favelas para recuperar armas roubadas de um quartel,
no último dia 3.
Os disparos começaram por volta das 5h e duraram quase
cinco horas, trazendo pânico a moradores, que fizeram
novo protesto em frente ao Comando Militar do Leste, para
pedir a saída das tropas. Foi o quarto dia consecutivo
de atrocidades no Morro da Providência.
Alguns moradores chegaram a discutir com militares para reclamar
da truculência e por pouco não entraram em confronto
com eles. Para apartar a confusão, um integrante do
Exército apontou a arma e disparou tiros para o alto,
causando grande correria.
A bebê Leílza e sua mãe, Ivaneide dos
Santos, 29, estavam em casa no alto do morro quando estilhaços
de bala de fuzil as atingiram. A criança ficou ferida
no rosto e nas pernas, e a mãe, no braço, peito
e rosto. Elas passam bem. Um homem também foi ferido.
Ivaneide disse que passou momentos de desespero com os tiros.
"Ouvi um estouro dentro de casa e comecei a gritar. Começou
a cair terra em cima de mim e dela. Cai por cima dela e a
protegi. Tivemos uma nova vida". – “Não
sei se vou mais conseguir dormir aqui” — disse
Divaneide.
"Voltem
para casa ianques alienados"
À
noite, Genilson dos Santos Batista, 12 anos, também
foi vítima de novo tiroteio. Em meio ao acirramento
no confronto na Providência, o Exército desmobilizou
ontem as tropas que estavam fazendo barreiras em estradas
e deixou duas favelas. O morro do Pinto, vizinho à
Providência, foi ocupado.
Um estudante de jornalismo e morador do morro, Márcio
Alfredo, 25, foi detido porque estendeu uma faixa com os dizeres:
"Voltem para casa ianques alienados".
Moradores voltaram a acusar os militares de truculência.
Reclamaram que eles estão revistando mochilas de crianças
e que estão invadindo casas com laje para ocupá-las.
Afirmaram ainda que só os militares atiraram.
Pelo menos seis escolas- entre elas uma creche- não
funcionaram ontem. À tarde, cerca de cem moradores,
a maioria crianças, foram para a frente da sede do
Comando Militar do Leste (CML) para protestar. Com bexigas
brancas, eles gritavam: "Az, az, az, az, a Providência
quer paz" ou, então, "Ê, ê, ê,
é abuso de poder". O CML nega as acusações.
Eles não foram recebidos pelos militares. O Exército
reafirmou ontem que continuará no Rio até localizar
as armas.
A Justiça Federal negou ontem pedido de suspensão
da operação do Exército feito quinta-feira
pelo Ministério Público Federal no Rio. Os procuradores
da República alegaram que a intenção
era impedir a "continuidade de possíveis arbitrariedades"
de militares.
Governo
manda tropa de pára-quedistas, usada no Haiti, ocupar
favela
À
tarde, uma tropa de pára-quedistas foi para a favela.
O Morro do Pinto, comunidade vizinha à Providência,
também foi ocupado. Durante a madrugada, as luzes da
Praça Américo Brum, no fim da Ladeira do Barroso,
foram mantidas apagadas pelo Exército. Cerca de 60
policiais civis da Core deram apoio das 3h30m às 7h.
Com medo de balas perdidas, motoristas evitavam o Túnel
João Ricardo e a Rua Rivadávia Correia. As 6h30m,
cerca de 40 soldados do Exército entraram no Morro
do Pinto. Além de revistar carros e pedestres, eles
ocuparam lajes de casas com visão estratégica
para a Providência. Os militares também tomaram
a Praça Machado de Assis, onde um adolescente morreu
baleado na segunda-feira.
Seis pessoas também foram detidas pelo Exército.
Um dos presos foi Felipe da Silva Gomes, de 26 anos. Na 4
DP (Central), os soldados disseram que Gomes e mais três
jovens, Eduardo Alves Cardoso, Anderson Soares de Oliveira
e um menor de 17 anos, estavam na Ladeira do Farias quando
foram surpreendidos e correram. Gomes tentou se esconder numa
casa, onde os militares encontraram dez quilos de cocaína,
um radiotransmissor, uma farda do Exército, três
facas e material para embalar drogas. Os outros foram detidos
ao serem reconhecidos durante uma manifestação.
A mãe de Gomes, Márcia da Silva, de 48 anos,
contou uma versão diferente na delegacia. Segundo ela,
seu filho, que trabalha de madrugada, estava dormindo no momento
do tiroteio. Um dos filhos de Gomes, de 3 anos, teria aberto
a janela de casa e os militares apontaram as armas. Irritado,
Gomes teria discutido com os soldados, que o prenderam. A
mãe do menor, Antônia Maria dos Santos, de 46
anos, também defendeu o filho. Ela alegou que o rapaz
havia levado a irmã de 12 anos à escola e estava
voltando para casa quando foi detido.
A delegada da 4 DP, Evanora Gomes de Moraes, informou que
os três jovens que acompanhavam Gomes seriam ouvidos
até o fim do dia e liberados por falta de provas. Dois
deles tinham antecedentes criminais.
Sétimo confronto em uma semana
Cães
e escudos contra protestos
Equipados
também com escudos e cassetetes e com o apoio de três
cães, soldados da Polícia do Exército
(PE) participaram na tarde do dia 10 da ocupação
da favela do Morro da Providência. O objetivo era facilitar
os trabalhos da corporação no terceiro dia consecutivo
de protestos de moradores. Policiais do 5 BPM (Praça
da Harmonia) também apoiavam os militares.
No dia 9, a primeira manifestação de moradores
ocorreu pela manhã numa praça no alto do Morro
da Providência. À tarde, cerca de cem pessoas,
boa parte crianças com uniformes escolares, fizeram
uma passeata até o Comando Militar do Leste. Com balões
brancos, eles pediam aos gritos o “fim dos tiroteios”,
do “abuso de poder” e exigiam respeito com a comunidade.
O dia foi novamente marcado por acusações de
lado a lado. Moradores acusavam o Exército de impedir
o direito de ir e vir e de agredirem trabalhadores até
com tapas na cara.
O Exército já cometeu outros assassinatos
durante o governo Lula
Em
2003, quando o Exército ocupou a cidade do Rio de Janeiro
durante o carnaval, um professor foi morto por soldados ao
passar por uma barreira militar sem parar o carro. O jornal
“A Folha de S. Paulo”, noticiou que no dia 4 de
março de 2.003, o professor inglês Frederico
de Farias teria sido morto por soldados do Exército
durante uma operação de Blitz.
Foi nas proximidades do morro do Juramento que o professor
Frederico Branco de Faria, 55, foi morto. Ele foi a primeira
vítima da Operação Guanabara, que contou
com a presença das Forças Armadas no papel de
segurança da cidade. Os soldados do 26º Batalhão
de Infantaria Pára-Quedista Flávio Silva dos
Santos e Ricardo Eduardo dos Santos disseram ter sido os autores
dos disparos contra o carro do professor Frederico Faria.
O advogado Tiago Branco de Faria,irmão do professor,
disse que ele foi ""brutalmente assassinado"
pelo Exército. "A única coisa que posso
afirmar é que o meu irmão foi brutalmente assassinado.
Estou perplexo com a barbaridade que foi cometida", disse
o advogado, pouco antes do enterro do corpo de Frederico,
realizado no cemitério de Irajá (zona norte
do Rio). ""Ele pode até ter passado pela
blitz, mas existem outras formas de parar um carro. Eles poderiam
atirar no pneu do carro e não em cima dele. Por isso
digo que ele foi assassinado."
Governo Lula defende
crimes de militares
Na época, apesar do episódio causar constrangimentos
na cúpula do governo, foi visto como "caso isolado",
por Lula e o então todo poderoso ministro José
Dirceu.
A postura de José Dirceu, que então com integral
e irrestrito apoio do presidente Lula, foi de defender a atuação
das Forças Armadas no policiamento do Rio, ao comentar
a morte do professor de inglês. "Não vejo
porque aquela tragédia que aconteceu, da morte do professor,
possa significar que as Forças Armadas não devam
ou não possam fazer ações como essas,
de emergência. Aquilo poderia ter acontecido também
se fosse uma tropa da polícia Civil ou Militar. Todo
o procedimento foi realizado, de aviso e de alerta. Todas
as medidas adequadas foram tomadas naquele caso."
Ele se mostrou simpático à manutenção
das tropas no Rio por mais tempo. "Temos um compromisso
público que o presidente Lula assumiu com o Rio de
Janeiro e com a governadora Rosinha Garotinho", afirmou.
Em 94, cidade teve
caso similar
Frederico Branco de Faria não foi a primeira vítima
do Exército durante operações de patrulhamento
das ruas do Rio deJaneiro. Na noite de 3 de dezembro de 1994,
um sábado, o comerciário Alex Alexandre Telles
Pacheco, 20, foi morto com cinco tiros de FAL (fuzil automático
leve) ao passar em uma barreira montada por militares do Exército
no morro do Urubu, no bairro de Pilares, zona norte do Rio.
Pacheco, que não tinha ficha policial, foi atingido
por um tiro na cabeça, três nas costas e um na
perna direita. ".
A ação dos militares era parte da Operação
Rio 1, deflagrada no segundo semestre de 94, no governo de
Itamar Franco (1992-94). Nos últimos 14 anos, o Estado
do Rio já recorreu seis vezes às Forças
Armadas para o combate à violência. A primeira
foi em 1992, na conferência internacional sobre o ambiente
Eco-92. A segunda, dois anos depois, com a já mencionada
Operação Rio 1, que teve continuidade em 1995
(Operação Rio 2). A última delas foi
no ano passado, durante as eleições presidenciais.
A Operação Rio 1 foi a que durou mais tempo
- dois meses: 1.500 homens do Exército ocuparam 50
morros e favelas do Rio e de Niterói.
Comandante
do Exército dá carteirada em aeroporto
Na quarta-feira de cinzas, o comandante do Exército,
general Francisco de Albuquerque, fez voltar uma aeronave
da TAM que se preparava para decolar para que ele e sua mulher
pudessem embarcar, mesmo tendo chegado entre 15 e 20 minutos
antes da decolagem. O prazo exigido é de uma hora antes,
e o avião já estava lotado, com a porta fechada.
O general, segundo o depoimento de um funcionário da
Infraero, se negou a aceitar perder o vôo e alegou que
"tinha compromissos inadiáveis em Brasília"
e deveria embarcar de qualquer jeito. O sub-oficial Agostine,
que é fiscal do DAC no aeroporto de Viracopos, acionou
a torre pelo rádio e mandou que os procedimentos de
vôo, já iniciados pela aeronave de prefixo PTMZQ,
com destino a Brasília, fossem abortados. Agostine
avisou que era uma ordem e que a situação envolvia
"um militar de alta patente". A ordem foi clara:
"Segura o avião!". Foi atendida. O avião
interrompeu o taxiamento, enquanto a TAM negociava duas poltronas.
Já outros 16 passageiros com reservas, e que não
tinham patente militar, ficaram de fora.
Alguns
passageiros relataram que o general Albuquerque chegou até
a ser vaiado quando entrou na aeronave. Uma vaia, diga-se
de passagem, mais do que justa e merecida. O caso mostra o
abuso de poder característicos da cúpula do
exército brasileiro.
Lula
endossa a operação militar no Rio
Em sua visita a corte da Inglaterra, o deslumbrado e serviçal
presidente Luiz Inácio deu total endosso à truculenta
e assassina operação do Exército, no
Rio de Janeiro. "O Exército tem que recuperar
o que é seu", afirmou o presidente em entrevista
coletiva concedida ontem na residência do primeiro-ministro
inglês Tony Blair.
Dizendo que estava sendo informado tanto pelo vice-presidente
José Alencar, também ministro da Defesa, como
pelo comandante do Exército,defendeu a operação:
"Nós só vamos saber se vamos achar ou não
[as armas] se investigarmos. Se ficarmos de braços
cruzados, não vamos achar absolutamente nada".
O presidente classificou de "extremamente grave"
o episódio, disse que não é possível
"permitir isso continue a acontecer", e afirmou
que "o Exército está tomando todo o cuidado.
Está trabalhando com a PM para encontrar não
só as armas mas também quem foi o autor da façanha".
Empregou palavra que, em geral, tem conotação
positiva. O dicionário Houaiss, por exemplo, define
"façanha" como "feito heróico;
proeza impressionante".
O presidente também comentou o fato de que já
houve uma vítima (um adolescente de 16 anos, morto)
na ação do Exército, soltando frase que
não diz absolutamente nada: "Se houve violência,
é sempre a confirmação de que violência
gera violência e que, portanto, não gostaríamos
que acontecesse".
Em Brasília, o ministro da Justiça Márcio
Thomaz Bastos disse que a ação militar é
baseada no Código de Processo Penal Militar. "É
uma operação determinada pela Justiça
Militar e está sendo feita pelo Exército nacional."
O ministro, que disse não saber até quando dura
a operação, foi questionado se o Exército
tem o direito de revistar crianças ou interditar campos
de futebol. "Se a gente for discutir isso no pormenor,
a gente não chega a lugar nenhum. Pelas informações
que tenho, o Exército tem lavrados alguns mandados
de busca e apreensão itinerantes e eles estão
fazendo este tipo de trabalho na tentativa de recuperar as
armas."
Nostálgicos
fascistas e idiotas acham que solução
contra insegurança é a ação do
exército nas favelas
A
maioria da imprensa, totalmente à serviço dos
interesses dos ricos e monopólios faz uma intensa campanha
para defender ação truculenta e assassina do
exército. Essa imprensa venal cria um clima de terror
e mobiliza a chamada opinião pública da dita
classe média para defender a ação dos
militares como se eles fossem a garantia de segurança
para a população. Já o povo pobre, que
sofre na pele as agressões e os tiros dos militares,
não é concedido qualquer espaço nesses
meios de comunicação.
A imprensa vendida se cala totalmente quanto a verdadeira
origem dos problemas sociais: o saque das riquezas do Brasil
que acontece há mais de 500 anos, a desigual repartição
das riquezas produzidas no país e a apropriação
de todo o fruto do trabalho por uma minoria de latifundiários
e grandes burgueses gerando uma colossal miséria. E
essa situação se agrava pois a disputa entre
os vários imperialismos por mercados, cada vez mais
acirrada, combinada com a ânsia devoradora de recursos
dos ianques de Bush, que faz da América Latina (e do
Brasil, em particular) uma jóia da coroa. O sistema
imperialista tenderá a exigir cada vez mais submissão
dos governos latino-americanos, o que significará aumento
do desemprego, da pobreza, da desorganização
da economia, da falta de perspectivas.
Diante do caos social criado pelas classes dominantes no país
alguns nostálgicos fascistas e idiotas propugnam pela
ação ostensiva e repressiva do exército.
Essas viúvas do fascismo escondem que toda a repressão
policial e militar desencadeada durante os 21 anos do regime
militar (de 1º de abril/1964 à 1985), ao contrário
de solucionar os problemas do país, incentivou foi
a corrupção e cevou todos os problemas sociais
que hoje explodem.
O país, até então, não conhecera
manobras tão espúrias e insidiosas quanto as
que aqui chegavam, ditadas pela “Aliança para
o Progresso” — estratégia de dominação
criada na administração Kennedy segundo a qual
os países da América deveriam, a qualquer custo,
eliminar o “inimigo interno”, ou seja, o pensamento
e prática de emancipação das classes
oprimidas, bem como as pretensões de independência
nacional.
O golpe militar de 1964 serviu aos interesses imperialistas
do Estados Unidos e a contra-revolução não
tardou em restituir ao USA — com juros e correção
— os gastos na preparação e execução
do golpe. Uma vez consolidado o poder, os contra-revolucionários
procederam à entrega do patrimônio nacional aos
monopólios mundiais. Uma das primeiras medidas adotadas
foi a revogação da lei de remessa de lucros.
A
legislação antipovo do golpe militar de 1964
Através
de um discurso ufanista e da propaganda de crescimento, aumento
da produção e controle da inflação
(melhor, manipulação dos índices de inflação),
os golpistas justificavam o arrocho salarial; a repressão
aos sindicatos e às greves; o fim da estabilidade de
emprego; o aumento da jornada de trabalho; a concentração
da terra, inclusive em mãos estrangeiras etc. A lei
antigreve data de 1º de junho de 64.
A
legislação antiproletária se constituiu
não apenas no instrumental para o aumento da exploração
da força de trabalho, mas numa peça antinacional
imprescindível para as classes contra-revolucionárias
internas. O arrocho provocou o rebaixamento em mais de um
terço dos salários dos trabalhadores, extenuados
em jornadas longas, ao que se acrescentou a necessidade de
outros membros da família se incorporarem ao trabalho.
Com
o direcionamento das chamadas empresas estatais (na realidade,
de capital misto) para a produção de bens intermediários
e serviços, como transportes a baixos preços,
os monopólios estrangeiros se concentraram na produção
de bens de consumo duráveis, aumentando grandemente
seus lucros. O aço produzido pelas “estatais”,
por exemplo, passou a ser entregue, a preço irrisório,
para as corporações estrangeiras.
Enquanto
a indústria automobilística se expandia vertiginosamente,
devido também à ampliação do crédito
para a classe média, as indústrias de bens populares
sofriam as consequências do arrocho dos salários
que atingia em cheio a classe operária.
No
campo, o capital estrangeiro assenhoreou-se da produção
de equipamentos, sementes, fertilizantes, além da comercialização.
A crescente necessidade de exportar produtos agrícolas
para compensar as inversões do capital monopolista
no país promoveu o aumento da concentração
fundiária, a consequente e massiva expulsão
dos camponeses de suas terras para as cidades, ampliando o
exército de reserva, enquanto o Brasil começava
a importar alimentos. Para substituir a importação
de bens de capital (máquinas, equipamentos etc), a
gerência militar promoveu contratos de associação
(chamados joint-ventures) entre as chamadas estatais e o capital
estrangeiro.
Entrega da Amazônia para os gringos
A
chamada ocupação da Amazônia, um capítulo
à parte, revelou, entre os casos mais impressionantes,
o enclave de tipo colonial conhecido como projeto Jari. Em
1967, o milionário ianque Daniel Keith Ludwig instalou-se
numa área que, segundo relatórios da época3,
atingia 6 milhões de hectares em mãos estrangeiras,
área maior que vários estados brasileiros e
que muitos países. Nenhuma atividade econômica
ali era de interesse nacional. Utilizava mão-de-obra
escrava e semi-escrava e sua segurança era feita por
ex-militares que compunham uma milícia particular,
além da polícia militar do Pará, que
ajudava a proteger o “país de Ludwig”.
Por fim, em 82, a área foi comprada por um grupo de
empresários brasileiros liderados por Augusto Trajano
de Azevedo Antunes, um dos maiores testas-de-ferro que o capital
monopolista encontrou no país. Em tese, Ludwig teria
vendido o Brasil para o Brasil, mas as terras ficaram nas
mãos da burguesia entreguista e seu capital integrado
ao imperialismo.
Em
9 de outubro de 1975, Geisel, então gerente do Estado
brasileiro, depois de intensa campanha entreguista na grande
imprensa, institui os contratos de risco na exploração
do petróleo. Estava quebrado o monopólio brasileiro,
fruto da mobilização popular na década
de 50. Vale lembrar: a distribuição, parte mais
lucrativa do processo já estava nas mãos dos
monopólios mundiais que dominavam 61,2% do setor.
Golpe
militar de 1964 = repressão contra o povo e favorecimentos
aos monopólios
Julho
de 73 marca a fundação da empresa Fiat Automóveis
S.A. (Fiasa), uma associação entre o governo
de Minas Gerais e a Fiat italiana. Os detalhes dessa transação
se tornaram públicos na mesma década. Na inauguração
da fábrica de Betim, em 76, já se sabia que
a Fiat investiu apenas 24,6% do capital da empresa, mas subscreveu
50%, obtendo o controle da Fiasa. O terreno para a instalação
junto com toda a infra-estrutura foi vendido pela prefeitura
de Betim por CR$ 7,00 (sete cruzeiros). A Fiat ainda obteve
isenção de impostos e taxas até 1985.
Obras externas, como estradas asfaltadas no entorno da fábrica,
acesso à rodovia São Paulo-Belo, Horizonte,
30 linhas telefônicas etc, serão pagas regiamente
pela Empresa, em 45 anos, a partir de 1977, em prestações
anuais de CR$ 700 mil, sem correção ou juros.
Enquanto isso, Delfim Neto dizia a representantes da burguesia
nacional que recorriam ao Ministério da Fazenda: “Ou
você se associa a uma grande fábrica estrangeira
ou vende a sua fábrica para eles.” Nessa altura,
a indústria automobilística estava 99,8% nas
mãos dos monopólios.
Os
monopólios já controlavam, no fim da década
de 70, 100% do setor farmacêutico; 77,9% das indústrias
de eletroeletrônicos; 63,8% das indústrias de
bebidas e fumo; 70,6% do setor têxtil; enquanto as estatais
se dedicavam à química, mineração,
serviço de eletricidade e transporte, ou seja, o trabalho
pesado.
O
processo não terminou. O gerenciamento militar evoluiu
para a forma de Estado de Direito. Os gerentes civis que se
sucederam deram continuidade ao arrocho salarial, cujo mínimo
chegará à “vultosa” quantia de R$
350,00. As siderúrgicas, a Vale do Rio Doce, o setor
elétrico, o petróleo e tudo o mais continua
sendo entregue a preço de banana e a isso se somam
as contra-reformas que estão sendo levadas a cabo pelo
gerenciamento de plantão.
Ação
do governo Lula e do seu exército é contra o
povo pobre
Após
o assassinato da missionária americana, Dorothy Stang,
ocorrido no Pará, em fevereiro de 2005, o governo fez
um grande envio de tropas ao estado. Em nota à imprensa,
o Comando do Exército informava que, no desenvolvimento
das operações no Pará, poderiam ser empregadas
tropas do Comando Militar do Nordeste, sediado em Recife (PE),
da Brigada de Infantaria Pára-quedista, do Rio de Janeiro
(RJ), da Brigada de Operações Especiais, de
Goiânia (GO) e do Comando de Aviação do
Exército, de Taubaté (SP), além dos 2.000
militares acionados inicialmente em Marabá e Belém
(PA), e em Manaus (AM). Os militares atuaram no Estado em
conjunto com os ministérios da Justiça, do Meio
Ambiente e os órgãos de Segurança Pública
estadual. O objetivo, segundo o Comando do Exército,
seria de "desenvolver operações de Garantia
da Lei e da Ordem no Estado do Pará". A operação
iniciada com muito estardalhaço não significou
nada de concreto em termos de acabar com os conflitos de terra.
Ao contrário, as tropas foram usadas para reprimir
os camponeses pobres e fortalecer o dominio do latifúndio
na região.
Governo
Lula adota política de segurança fascista
A
11ª Brigada de Infantaria do Exército, com sede
em Campinas (95 km de SP), é a primeira unidade no
país a ser adaptada para treinamento a militares que
atuarão em problemas com a segurança pública,
fazendo o trabalho de polícia estadual, ou seja, repressão
contra os pobres. A tropa de Campinas contará com 4.500
homens. Há no país, além de companhias
da Polícia do Exército, outros nove batalhões
que possuem treinamentos semelhantes, mas não específicos
para a atuação do Exército nas ruas.
O plano do Exército é treinar os homens em Campinas
para atuar em casos de greve de policiais estaduais e também
no auxílio da Polícia Militar, para o controle
da ordem pública --como os bloqueios de estradas. A
alteração faz parte do plano de reestruturação
do Exército brasileiro e começou a ser implementada
em dezembro de 2003. O processo deve ser concluído
em 2007.
Para atender à determinação do Comando
do Exército, em Brasília, a 11ª Brigada
de Campinas elaborou um projeto que prevê, por exemplo,
a compra de novos armamentos. Saem os fuzis e as munições
letais e agregam-se capacetes, armas de baixo calibre e munições
de borracha. De acordo com o Comando do Exército, o
número de solicitações de atuação
militar em grandes centros urbanos tem crescido. Segundo o
Comando do Exército em Brasília, não
se trata de criar uma nova grande unidade, e sim aproveitar
a reestruturação em curso para também
atender às novas demandas, de ações de
garantia da lei e da ordem.
Vende-se uma sensação de segurança que
não existe, pois a utilização de tropas
militares em assuntos de segurança pública demonstra
apenas que as contradições sociais estão
sendo cada vez mais acentuadas, propiciando uma verdadeira
guerra civil, ainda que velada.
O
governo FMI-Lula, em uma iniciativa considerada como drástica
pelo jornalista Milton Temer, gerou, por decreto presidencial,
a BIL-GLO, Brigada de Infantaria Leve - Garantia da Lei e
da Ordem. Segundo o comando do Exército, trata-se de
uma unidade destinada a conter rebeliões, desocupar
terras e coibir manifestações populares, ou
distúrbios civis. Mas espera aí? Quem cogita
de rebelião? Manifestação popular, em
governo democrático, é para ser coibida ou para
ser protegida? E mais; vai ser criada uma unidade especializada
do Exército para, por exemplo, garantir que só
haja manifestações públicas favoráveis
ao governo? E para calar a oposição?
Pior que continuísmo de modelo dito neoliberal, trata-se
de um brutal retrocesso democrático. Aí, não
há meio termo. Ou somos transportados à República
Velha, onde questão social era caso de polícia;
ou, mais grave, recaímos no abjeto conceito de ''inimigo
interno'', que caracterizou a doutrina de segurança
nacional da ditadura resultante do golpe de 64.
“O
armamento da burguesia contra o proletariado é um dos
fatos mais consideráveis, fundamentais e importantes
da moderna sociedade capitalista... A nossa palavra de ordem
deve ser: armar o proletariado para vencer, expropriar e desarmar
a burguesia. Esta é a única tática possível
para a classe revolucionária, tática que decorre
de todo o desenvolvimento objetivo do militarismo capitalista
e é determinada por este desenvolvimento.”
Os últimos acontecimentos e as atrocidades que estão
sendo cometidas contra o povo pobre das favelas do Rio de
Janeiro confirmam de forma contundente esta afirmação
do genial líder revolucionário russo, Vladímir
Ilitch Lênin.
Os grandes bandidos
estão na Avenida Vieira Souto e na Barra da Tijuca
e não nas favelas
“Se
vocês estão a fim de prender o ladrão
Podem voltar pelo mesmo caminho
O ladrão está escondido lá embaixo
Atrás da gravata e do colarinho”
(Trecho
da música “Vitimas da Sociedade”, de Crioulo
Doido – Bezerra da Silva)
“Trazem
eles na testa a marca que os denuncia, para que sejam desprezados,
condenados como criminosos? Não. Ao contrário,
são pessoas respeitáveis. São reverenciados.
Tratam-se e são por todos tratados como fidalgos, cavalheiros.
Que dissimulação sobre esse nome! Cavalheiros!
São os pilares do Estado, da Igreja, da sociedade.”
Quem são os grandes barões do tráfico
de armas e de drogas? Certamente não são “pés-de-chinelo”,
que moram em favelas. Moram em mansões, nos bairros
ricos. São grandes empresários, políticos,
ocupam cargos públicos, estão no executivo,
no parlamento, em altos postos na justiça e também
nos meios militares. “Patrocinam a caridade pública
e privada com o excedente de suas riquezas. Fazem doações
a casas de benemerência. Na vida particular são
bondosos e estimados. Obedecem à lei, à sua
lei — a lei da propriedade privada.
Há algo, porém que levanta a caça e denuncia
esses gentis pistoleiros: é só ameaçar
uma redução em seu lucro, nos juros de seu dinheiro,
que a besta que neles existe desperta raivosa, rosnando agressiva.
Tornam-se cruéis como os selvagens, brutais como os
loucos, carrascos insensíveis.” Ante o aumento
da miséria que causam, dos amontoados de barracos miseráveis
em volta dos seus palacetes, a receita deles é reprimir
os pobres com toda força militar possível. “Homens
como esses devem perecer, se quisermos a continuidade da raça
humana. Enquanto eles viverem, não poderá haver
paz permanente no mundo. Uma sociedade humana organizada de
maneira a permitir-lhes a existência tem de ser abolida.
São esses os homens que fazem as feridas” da
sociedade brasileira e que causam a violência, a miséria
e as mortes de pobres na cidade do Rio de Janeiro e em todo
país. |