Recebemos uma informação de que
250 homens do Exército e da Polícia Federal se deslocaram
ontem (segunda) para o acampamento José e Nélio
e a área Jacinópolis (noroeste de Rondônia)
para fazerem uma operação "pente fino".
Sabemos o que isto significa: repressão aos camponeses
pobres que lutam pelo sagrado direito a um pedaço de terra.
Com a desculpa de preservação ambiental querem impedir
o povo de trabalhar, enquanto grandes latifundiários que
derrubam milhares de hectares de uma só vez, mantém
grupos de pistoleiros, escravizam trabalhadores e traficam drogas
estão livres, leves, soltos.
A maioria dos camponeses do acampamento e muitos de Jacinópolis
estão agora no protesto na BR-364.
Só o que o Estado dá para o povo é repressão.
Quando é época de eleições os políticos
vão nos lugares mais escondidos deste país famintos
por votos. Passadas as eleições eles somem, como
sempre.
Cansados de tanto esperar, só o que nos resta é
protestar, como o fechamento da BR-364 que estamos fazendo desde
segunda (23) às 4 horas da madrugada na altura da ponte
sobre o rio Jacy, no distrito de Jacy-Paraná. Ao todo,
são 200 camponeses, homens, mulheres e crianças
de União Bandeirantes, Jaci-Paraná, Mutum- Paraná,
Vista Alegre, Rio Pardo, Minas Novas, Jacinópolis e linhas
20 e 28.
É uma manifestação pacífica para exigir
o fim de uma lilminar do Ibama que prevê o despejo de 5
mil famílias da região, regularização
de terras, liberação de uma estrada, energia elétrica,
construção de escolas, fim das perseguições
políticas aos camponeses pobres e outras reivindicações.
Nós camponeses pobres ficamos afundados nos rincões
deste país onde sofremos toda sorte de dificuldades, descaso
e ataques do Estado e de latifundiários com seus bandos
de pistoleiros. Protestos como estes são importantes para
denunciarmos a verdadeira reforma agrária do governo e
a democracia burguesa que é só repressão
e miséria para o povo. Protestos como este também
servem para unir os camponeses aos operários e demais trabalhadores
da cidade, que também sofrem com o desemprego, desvalorização
do salário, violência fruto da miséria, impostos
altíssimos. A quebradeira geral entre os comerciantes.
A imprensa local a serviço do latifúndio segue com
seu papel de difamar a luta camponesa, no fechamento da BR não
seria diferente.
Contamos com a colaboração das pessoas e entidades
democráticas do país para denunciarem as perseguições
e repressão contra os camponeses pobres em Rondônia
e para divulgarem nossa luta. Os camponeses estão preparados
para resistir até uma semana na ponte até atenderem
nossas exigências.
O povo quer terra, não repressão!
Tomar todas as terras do latifúndio! Viva a Revoluçõa
Agrária!
LCP - Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia |