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Reproduzimos
matéria publicada no blog Resistência Camponesa: http://www.resistenciacamponesa.com
A
crise em Rondônia
No
dia 5 de novembro o Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia
definiu a cassação do mandato do governador de Rondônia
Ivo Cassol e de seu vice João Cahula por compra de votos
e abuso de poder econômico nas eleições de 2006.
O
TRE decidiu que novas eleições serão realizadas
no dia 14 de dezembro deste ano. Até lá, o cargo de
governador deveria ser ocupado pelo presidente da Assembléia
Legislativa de Rondônia, Neodi Carlos de Oliveira (PSDC) que
também foi acusado em setembro pelo Ministério Público
de desvio de mais de R$340 mil reais do poder legislativo estadual.
Neodi é um dos representantes dos grandes madeireiros da
região.
Em
reunião na surdina os deputados da “casa do povo”
(ALE) modificaram a constituição estadual numa tentativa
desesperada para prolongar ao máximo a cassação
do governador.
O
caso da compra de votos
Em
agosto de 2007 o procurador-geral da República, Antônio
Fernando de Sousa, apresentou ao Supremo Tribunal Federal denúncia
sobre um esquema de corrupção eleitoral em Rondônia
nas vésperas das eleições de 2006. Ivo Cassol
doou mais de 200 mil reais para a campanha de Expedito Júnior
ao Senado, usado para a compra de votos de vigilantes da empresa
de segurança Rocha Segurança e Vigilância Ltda,
em Porto Velho, de propriedade do senador Expedito. Cada funcionário
receberia 100 reais em troca do voto na dupla Cassol/Expedito.
Segundo
o procurador-geral, a atuação de Ivo Cassol, Expedito
Júnior e sua esposa, a então candidata a deputada
Val Ferreira nos crimes ficou ainda mais evidente por conta de “manobras”
realizadas para obstruir a investigação.
Uso
da polícia para ameaçar testemunhas
A
desembargadora Ivanira Feitosa Borges afirmou que Cassol usou o
aparato da Secretaria de Segurança Pública do Estado
para tentar ocultar a compra de votos, iniciando uma campanha de
intimidação das cinco principais testemunhas, todos
vigilantes da Rocha Segurança e Vigilância. Cassol
ordenou à Polícia Civil do estado a instauração
de inquérito policial para investigar as testemunhas.
O
então subsecretário de Segurança Pública
do estado Renato Eduardo de Souza e o delegado Hélio Teixeira
Lopes Filho forjaram um inquérito contra uma das testemunhas.
Eles são acusados também de forjar depoimentos favoráveis
ao governador. Para fazer ameaças veladas e intimidar as
testemunhas Cassol ainda destacou policiais civis. Eles entregaram
intimações para os vigilantes e os aconselharam a
“maneirar” ou mudar os depoimentos sobre as propinas
de 100 reais.
Os
policiais ainda prometeram às testemunhas cargos públicos
no governo, dentre eles, de servidor no Detran. Como não
conseguiram decidiram agir com truculência: iniciaram uma
rotina de rondas ostensivas próximas às residências
das testemunhas e deram três tiros na casa da mãe de
uma delas.
Nas
ameaças participou também Agenor Vitorino de Carvalho,
o Japa, notório criminoso envolvido em tráfico de
drogas e homicídios.
Outros
processos contra Cassol
Contra
Cassol também corre um inquérito no Superior Tribunal
de Justiça (STJ) desde 2004, no qual ele é acusado
de se associar a contrabandistas de diamantes para explorar ilegalmente
jazidas localizadas na reserva cinta-larga Roosevelt, em Espigão
d’Oeste, por meio da Companhia de Mineração
de Rondônia (CMR).
Em
2007 a operação Titanic da Polícia Federal
acusou Cassol, seu filho e o dono do jornal Estadão do Norte,
Mário Calixto (no momento se encontra foragido), de participação
num esquema de importação de carros de luxo por uma
empresa do Espírito Santo que operava a partir de Rondônia
com isenção fiscal de até 85% concedida pelo
Governo do estado. E por ai vai!
Monopólios
de comunicação a serviço da quadrilha
Em
meio ao lamaçal em que se afunda Cassol e sua camarilha de
bandidos, no apagar das luzes desta gerência podre os monopólios
de comunicação da região estão atordoados.
Os
jornais Folha de Rondônia e Estadão do Norte e sites
também ligados a Cassol, financiados com farta verba pública,
calam-se diante dos acontecimentos. Só para se ter uma idéia
da vinculação da maior parte da imprensa com os grupos
mafiosos, o Folha de Rondônia recebeu entre 2005 e 2006 cerca
de R$ 3,5 milhões para dar publicidade às ações
do governador, assim como veicular informações falsas
que visaram protegê-lo.
Agora
estes jornais tentam imprimir outra pauta para a opinião
pública, como se nada estivesse acontecendo.
Logo
eles que sempre apresentaram Cassol como agente da modernidade contra
o atraso representado por camponeses pobres, índios e populações
ribeirinhas, agora têm diante de si a dura realidade: o desmoronamento
de todos crimes desta quadrilha contra o povo, que é sempre
o único prejudicado.
No
caso mais recente de manipulação de informações
o Decom – Departamento de Comunicação do Governo
divulgou a falsa notícia de que o TSE havia suspendido os
preparativos para as eleições em dezembro próximo.
O
desenlace da crise
A
crise, é claro, não é apenas do governo Cassol
e não se limita a Rondônia, o que vemos ocorrer aqui
é uma expressão concentrada e mais acentuada da crise
do velho e podre Estado brasileiro, crise econômica, política,
social e moral do Estado de grandes burgueses e latifundiários
a serviço do imperialismo, principalmente norte-americano.
Basta
ver que em todas as cidades do país, nas prefeituras, assembléias
legislativas, senado, congresso nacional, câmaras de vereadores,
fóruns, polícia, enfim, no executivo, legislativo
e judiciário encontramos exemplos de como a corrupção
é endêmica e que não existe solução
dentro deste sistema de exploração e opressão.
Ainda que alguns acreditem que reformas para dar nova fachada a
um edifício velho que está para ruir podem impedir
seu desmoronamento.
Uma
demonstração do descontentamento da população
é que Rondônia teve o maior índice de abstenções
do Brasil nas eleições municipais com 17,59%, isso
sem contar 7,08% de votos nulos e brancos e aqueles que sequer têm
títulos. Outro exemplo é o dos ex-deputados condenados
recentemente a mais de 100 anos por envolvimento em esquemas de
corrupção.
É
uma prova cabal da falência do velho e podre Estado, de suas
eleições corruptas e da sua farsa de democracia.
A
saída de Cassol, longe de atenuar a crise de Rondônia
irá agravá-la ainda mais, abrirá os apetites
insaciáveis e iniciará uma disputa encarniçada
entre os grupos econômicos que farão de tudo pelo controle
do poder, e sabemos do que é capaz este tipo de gente. Disputas
de interesses de diferentes grupos mafiosos, de famílias
de poderosos que se engalfinham na briga pelo controle do aparelho
de Estado. O próprio governo federal já tem ensaiado
com as ameaças de intervenção nos setores ambiental,
penitenciário e de segurança pública como forma
de garantir seus interesses em Rondônia.
Em
um estado como o nosso de imenso potencial mineral, hídrico
e de biodiversidade a sanha do imperialismo não cessa, quanto
mais em tempos de crise do capital em que o controle dos recursos
naturais e matérias primas se torna cada vez mais estratégico
para as grandes potências imperialistas.
No
entanto a aplicação dos planos imperialistas e a necessidade
de sua intervenção cada vez mais agressiva na região,
seja direta ou indiretamente, através de Ong’s, Ibama,
etc..., geram fortes contradições com os interesses
dos grupos locais, principalmente no que diz respeito ao desmatamento
e proteção ambiental.
Esta
crise em Rondônia é reveladora do que ocorre a nível
nacional com o velho Estado brasileiro. Mais que nunca é
necessário que os camponeses, operários e demais trabalhadores,
estudantes, professores, pequenos comerciantes, democratas e progressistas
em geral, se unam e se levantem para varrer toda esta podridão.
Somente
uma Revolução Agrária como parte de uma revolução
de Nova Democracia será capaz de salvar o país da
ruína e pôr fim a tanta injustiça, miséria
e fome. A Revolução Agrária vai cortar todas
as terras do latifúndio e distribuir aos camponeses pobres
sem terra ou com pouca terra, aonde o povo realmente exercerá
o Poder em todos os sentidos. |