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Morte
de camponeses em “acidentes” de transporte são
crimes seguidos do latifúndio
Em menos de quinze dias foram ceifadas as vidas de 18 camponeses
e mais de 30 ficaram feridos em dois crimes praticados pelo latifúndio,
que explora trabalhadores rurais para as colheitas, e os transportam
de forma pior que gado. Os trabalhadores são carregados como
animais, jogados de qualquer jeito nas carrocerias dos caminhões.
O latifúndio, essa chaga que se arrasta há cinco séculos
no Brasil, conta com toda garantia do Estado e esse tipo precário
de transporte que utiliza é totalmente legalizado pelo Estado
e aceito pelos governos federal e estadual, órgãos
de trânsito e polícia militar rodoviária, etc.
Massacre
de trabalhadores rurais

Latifúndio
assassina camponeses utilizando precário transporte em caminhões
Os
monopólios de imprensa denominam esses fatos como “acidentes”,
mas na verdade são verdadeiras chacinas perpetradas contra
o povo pobre e trabalhador.
No dia 19 de agosto, por volta das 16h40, na BR-381, um caminhão
Dodge, ano 75, com 32 camponeses na carroceria bateu na mureta central,
a 190Km de Belo Horizonte, jogando os camponeses fortemente em direção
à pista contrária. 14 camponeses morreram nessa chacina,
sendo que 5 eram da mesma família, a maioria morava na cidade
de Santo Antônio do Amparo.
Outra chacina foi no dia 2 de setembro, quando dois caminhões
F-4000 se chocaram já próximos à lavoura de
café, ás 6h30 da manhã, na zona rural de Piedade
de Caratinga, Zona da Mata, e 4 camponeses morreram, ao todo tinham
60 nas carrocerias dos caminhões.
O Governo FMI-Lula é cúmplice dessas chacinas
O governo federal, chefiado pelo sr. Luiz Inácio, endossa
essa aviltante situação, como agora, promulgando a
lei 11.718 de 20/06/2008 (ex-Medida Provisória 410, que tramitou
a toque de caixa), que permite a contratação temporária,
sem exigência da assinatura da carteira de trabalho e remuneração
por dia de trabalho e com os direitos “embutidos” nesse
suposto acerto diário, ou seja, legaliza a exploração
da força de trabalho no campo e ação dos intermediários
empreiteiros do latifúndio, os chamados “gatos”.
Além disso, o DER, juntamente com a Polícia Militar
Rodoviária, expedem autorização aos caminhões
caindo aos pedaços para transportarem os camponeses como
animais para a lavoura, como é o caso da chacina na BR-381,
que matou 14 camponeses, o caminhão foi fabricado em 1975
e transitava com sérios problemas no freio, sem tacógrafo
e até sem cadeiras para os trabalhadores sentarem na carroceria.
Já no caso do choque entre os dois caminhões na Zona
da Mata, os caminhões nem tinham essa “autorização”
do DER.

Os camponeses
são transportados como animais para a lavoura
É
essa a realidade do trabalhador camponês, trabalha mais de
10 horas por dia, é superexplorado, não tem a posse
da terra, é assassinado pelo latifundiário e ninguém
é punido. Por outro lado o latifundiário, com terras
griladas, lucra fortunas de dinheiro ás custa do trabalho
dos camponeses, tem financiamentos milionários e que depois
não são cobrados e ainda é protegido pela polícia
e pelo Governo Federal.
Igual a esses casos existem muitos em nosso país, e boa parte
a imprensa não registra e passa despercebido. As chacinas
ocorrem no interior das fazendas, nas longas estradas de terra,
nas estradas abandonadas e sem fiscalização, sem falar
das inúmeras mortes na lavoura, como é o caso do trabalho
escravo nos canaviais espalhados por todo o país.

Todo
ano centenas de camponeses são assassinados nas lavouras
de cana
Os
camponeses estão se revoltando
Por todo o país os camponeses estão se revoltando
contra essa situação. No estado do Alagoas, na usina
canavieira do Catende, os camponeses escravizados há décadas
na lavoura de cana-de-açúcar ergueram a bandeira da
Liga dos Camponeses Pobres e estão se organizando para ocupar
as terras da usina, estão decididos a serem donos das terras
em que trabalham, não suportam mais serem explorados e assassinados
pelo latifúndio. E assim vem sendo em diversos locais do
país, como no Norte e no Triângulo Mineiro, no Pará,
em Rondônia e em outros estados.
De acordo com a Coordenação Nacional das Ligas de
Camponeses Pobres, os trabalhadores do campo não acreditam
mais na demagógica Reforma Agrária do Governo Federal,
que só atende aos interesses dos latifundiários, e
estão se organizando, se apoiando nas próprias forças,
ocupando o latifúndio e se libertando por conta própria
da exploração. Os camponeses estão decididos
a destruírem de vez todo o latifúndio, essas verdadeiras
sesmarias semi-feudais de exploração e escravização
do povo, e construírem um novo poder, onde o povo seja dono
da terra, tenha condições dignas de trabalho e de
transporte, e não precise mais sofrer dependurados nos precários
caminhões, como animais, para morrer sob as garras da ganância
do latifúndio. |