Retransmitimos
nota do Cebraspo em solidariedade aos Camponeses presos de Jaci-Paraná
Liberdade
para os presos de Jaci-Paraná!
Pelo fim da criminalização da luta camponesa!
A
repressão aos camponeses pobres em luta pela terra, no estado
de Rondônia, continua cada vez mais absurda e brutal. Como
ficou evidente no ataque policial do dia 09 de setembro último
contra os camponeses de Jaci-Paraná, distrito de Porto Velho
que, organizados, lutavam pela posse da Fazenda Mutum.
Os
camponeses estavam mobilizados há muito tempo para defender
seu legítimo direito à terra para quem nela trabalha,
de modo a viver dignamente. E a área que reivindicam já
tinha sido declarada como sendo terra pública pela justiça
federal que, segundo consta, já teria dado a emissão
de posse da mesma para o Incra.
Mas
nenhum desses encaminhamentos foi respeitado. Quando se trata de
fazer valer os interesses espúrios dos latifundiários,
a polícia passa por cima de tudo. E se presta a cumprir,
mais uma vez, o papel de 'funcionários particulares' dos
latifundiários, agindo de maneira covarde e ao arrepio das
leis burguesas, que dizem representar. Atacaram homens, mulheres
e crianças, a tiros, com o objetivo de aterrorizá-los
e expulsá-los da terra, para permitir a entrada do latifundiário
grileiro!
Segundo
informações obtidas pelo Cebraspo, cerca de 30 policiais
militares de União Bandeirantes, Jaci-Paraná e Porto
Velho, chegaram ao acampamento disparando tiros contra os acampados.
As famílias haviam retomado a área na madrugada de
segunda-feira, dia 8 de setembro. Durante a operação
os policiais gritavam que estavam dispostos a matar, pois ali todos
eram vagabundos. Tomaram foices, facões, enxadas, cavadeiras,
entraram nos barracos despejando as roupas no chão, chutando
os pertences, lançando alimentos ao chão e quebrando
utensílios de cozinha. Chamavam os camponeses de porcos.
Como se não bastassem todas estas agressões e humilhações,
os policiais levaram ainda remédios, livros, e as roupas
simples dos camponeses. Foram presos dez camponeses: sete homens
e três mulheres.
A
imprensa reacionária local, que é sustentada pelos
latifundiários e serve aos seus interesses, mais uma vez
publicou matérias caluniosas contra os camponeses na tentativa
de justificar tamanha barbaridade. Escreveram sobre uma falsa versão
de confronto entre policiais e camponeses e repetiram a mesma cantilena
que usam há meses para transformar camponeses em luta pelo
seu direito em criminosos, enquanto acobertam os crimes dos latifundiários
grileiros e dos policiais que, usam da sua condição
de força repressiva armada para espancar covardemente famílias
inteiras que não tiveram sequer como se defender. Nenhuma
linha foi falada sobre o ataque e as covardias cometidas pela polícia.
No
caso dos camponeses de Jaci-Paraná o ataque teve requintes
de crueldade e pode ter conseqüências ainda mais graves.
Os dez camponeses presos foram jogados no famigerado presídio
Urso Branco – conhecido pelas atrocidades que lá seguem
acontecendo contra os presos e já denunciado, por isso, na
Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA. Duas camponesas
estão em celas com dezenas de pessoas.
Foi
impetrado Habeas Corpus para libertação dos camponeses,
cujo processo tem o número: 501.2008.009577-7. Neste momento,
o Cebraspo, juntamente com o advogado do NAP (Núcleo de Advogados
do Povo), Dr. Ermógenes Jacinto, está tentando visitar
os presos no Presídio Urso Branco.
O
camponês que foi mais espancado, e é o mais idoso,
está internado no Hospital João Paulo II e continua
sendo ameaçado.
O
Cebraspo repudia mais esta violência e brutalidade cometida
contra os camponeses pobres em luta pela terra. A verdade sobre
os fatos deve prevalecer. Que todos os camponeses presos sejam imediatamente
libertados! E que se cumpra a decisão da justiça federal
quanto à terra pública, que deve ser dos camponeses!
E,
por tudo isso, o Cebraspo convoca todos os democratas a denunciarem
esta grave situação, assim como a exigir das autoridades
regionais e federais medidas imediatas para libertar os camponeses
presos e garantir a terra àqueles que necessitam dela para
viver. A integridade física e psicológica de todos
os presos é responsabilidade destas autoridades. Abaixo a
criminalização da luta camponesa!
Manifestem-se através dos e.mails abaixo:
Secretaria
Geral da Presidência da República: sg@planalto.gov.br
Secretaria
Especial de Direitos Humanos da Presidência da República:
direitoshumanos@sedh.gov.br
Governador
Ivo Cassol (Rondônia): sac@governadoria.ro.gov.br
Comissão
de Direitos Humanos e Minorias da Câmara: cdhm@camara.gov.br
Presidente:
Deputado Pompeo de Mattos (PDT/RS): dep.pompeodemattos@camara.gov.br
1º
Vice-presidente: Sebastião Bala Rocha (PDT/AP): dep.sebastiaobalarocha@camara.gov.br
2º
Vice-presidente: Sueli Vidigal: (PDT/ES): dep.suelividigal@camara.gov.br
Cebraspo – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos
16.setembro.2008
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CEBRASPO
Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos
www.cebraspo.com.br
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