Carta
Aberta
Ao povo de Rondônia
Aos camponeses, trabalhadores, intelectuais, democratas e honestos
de todo o Brasil
No dia 26 de março de 2008, foram às
bancas a Edição 2003, ano 31 da revista Isto É.
A capa estampava a notícia de que “O Brasil tem Guerrilha”,
acusando a Liga dos Camponeses Pobres de ser um “suposto braço
armado das FARC” em nosso país. Mais do que um sensacionalismo
barato, Isto É passa a criminalizar a justa luta pela terra,
na tentativa de descaracterizar uma legítima organização
camponesa de Rondônia, acreditando que com a desinformação
da opinião pública poderia insuflar uma ação
repressiva do Estado.
A publicação difamatória da
revista Isto É, foi amplamente reproduzida por setores da
imprensa do Estado de Rondônia, como uma única orquestração
de ódio contra os camponeses pobres, agora apresentados como
guerrilheiros, bandoleiros, bandidos e terroristas, que apresenta
um traço fascista dessas “matérias jornalísticas”,
sob a máxima nazista difundida por Goebbels, de que uma mentira
contada várias vezes se torna uma verdade.
O ódio de classe é estampado em frases
do tipo: “trupe maltrapilha, encapuzada e arredia” e
na própria vinculação de ativistas da Liga
dos Camponeses Pobres com a morte de camponeses na região.
A prova mais cabal da tentativa de criminalizar os camponeses é
que a revista Isto É tentar associar os camponeses Wenderson
Francisco dos Santos, o Ruço e Caco, de terem envolvimento
na morte de um camponês na região de Jacinópolis.
Ruço e Caco, foram injustamente acusados, há anos
atrás, pela morte de um pistoleiro do latifundiário
e grileiro Galo Velho, que é um dos maiores do ramo da “grilagem”
no país, reconhecido no Livro Negro da Grilagem de Terras
do Governo Federal.
Há um ano atrás, o povo de Jarú,
julgou que Ruço era inocente de todas as acusações
absurdas do latifúndio, coroando uma campanha nacional e
internacional que denunciava a sua prisão sob tortura e as
infrutíferas tentativas de matá-lo na prisão,
onde permaneceu por mais de 4 anos. O povo soberanamente decidiu,
mas o latifúndio continua a insistir em criminalizá-lo
por ele ser “membro da Liga dos Camponeses Pobres”.
Caco, após permanecer por três meses preso, foi absurdamente
condenado, junto com o Dr. Ermógenes Jacinto, advogado, pela
LEI DE IMPRENSA! No Entanto a mesma Lei de Imprensa não puniu
o jornal folha de Rondônia que após o julgamento que
inocentou os camponeses em 4 de abril de 2007 anunciava: “matadores
da LCP são absolvidos”.
A matéria de Isto É tem uma qualidade
tão grosseira em suas mentiras e intentos difamatórios
que chega a acusar, sem qualquer tipo de prova, ativistas da Liga
de Camponeses Pobres por diversos crimes. Isso, além de fazer
acusações gratuitas, também sem qualquer comprovação,
sobre supostos treinamentos feitos pelas FARC na região.
Percebendo que as organizações democráticas
e de direitos humanos preparavam uma resposta à esses ataques,
Isto É mais uma vez ataca a Liga de Camponeses Pobres e passa
a caracterizar como “guerrilheiros” o MEPR – Movimento
Estudantil Popular Revolucionário e ILPS - Liga Internacional
de Luta dos Povos, na qual o CEBRASPO é filiado e o representa
enquanto Seção Brasil.
O que se quer justificar é que se existisse
guerrilha, justificaria-se ação armada de pistoleiros
a mando do latifúndio na região de Jacinópolis,
que a cada mês faz inúmeras vítimas. Mas o latifúndio
quer mais! Com um discurso de “medo” e por se sentirem
“aterrorizados”, diversos latifundiários e seus
representantes no parlamento passaram a exigir a ação
do Exército para “acabar com os guerrilheiros”.
Em outras palavras, segundo o latifúndio, é preciso
acabar com todos os camponeses que se lançam na luta pela
terra, que buscam o sustento dos seus filhos e que em muitos casos
já vieram de outras regiões onde foram expulsos pelo
latifúndio.
Já basta! Os inocentes não podem
ser acusados de bandidos. Os conflitos agrários só
existem pela velha estrutura agrária concentrada nas mãos
de poucos enquanto a maioria dos pobres do campo passa fome.
Tomamos a liberdade de nos dirigir aos rondonienses,
com humildade, mas reconhecendo que nossas assinaturas nesta carta
representam significativa parcela dos democratas brasileiros, no
sentido de manifestar apoio e esperança aos camponeses que
lutam pela terra ao mesmo tempo em que repudiamos toda a forma de
tratar o problema agrário brasileiro como caso de polícia.
As organizações classistas e personalidades
presentes neste Ato Público, na Universidade Federal de Rondônia
conclamam ao povo de Rondônia e toda a sociedade brasileira
a se colocar em luta contra esta tentativa de criminalizar o Movimento
Camponês, pois junto com estes está em jogo a criminalização
de toda e qualquer organização social que se levante
contra as injustiças e desigualdades existentes em nosso
país. O povo quer terra! Não repressão!
Porto
Velho, 04 abril de 2008.
CEBRASPO
/ Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos
ILPS / Liga Internacional de Luta dos Povos
SINDSPREV/RO
– Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde, Trabalho
e Previdência Social de Rondônia
SINTUNIR
– Sindicato dos Técnicos da Universidade Federal de
Rondônia
Sindicato
dos Trabalhadores Rurais de Espigão D’Oeste/RO
NAP
– Núcleo dos Advogados do Povo
Comitê
Popular de Lutas – Porto Velho/RO
Comitê
em Defesa da Revolução Agrária – Porto
Velho/RO
Prof.
Ms. Nelbi Alves da Cruz – Coordenador do PRONERA – Universidade
Federal de Rondônia
Prof.
Dr. Nilson Santos – Diretor do Núcleo de Educação
– Universidade Federal de Rondônia
Prof.
Dr. Ari Miguel Teixeira Ott – Depto de Filosofia e Sociologia
- Universidade Federal de Rondônia
Profª
Ms. Marilsa Miranda de Souza – Campus de Rolim de Moura –
Universidade Federal de Rondônia
Prof.
Luis Luíz Fernando Novoa Garzón – Fórum
Independente Popular do Madeira
Diretório
Central dos Estudantes – Universidade Federal de Rondônia
– DCE/UNIR
Movimento
Estudantil Popular Revolucionário - MEPR
Centro Acadêmico de Ciências Sociais – Universidade
Federal de Rondônia
Centro
Acadêmico de Pedagogia – Universidade Federal de Rondônia
Centro
Acadêmico de Psicologia – Universidade Federal de Rondônia
Centro
Acadêmico de Informática – Universidade Federal
de Rondônia
Centro
Acadêmico de Biologia – Universidade Federal de Rondônia
Centro
Acadêmico de Geografia – Universidade Federal de Rondônia
Centro
Acadêmico de Medicina – Universidade Federal de Rondônia
Centro
Acadêmico de Química – Universidade Federal de
Rondônia
Movimento
Feminino Popular – MFP
Considerando o conteúdo dos fatos acima, os signatários
vêm manifestar sua solidariedade ao movimento camponês
e repudiar as matérias caluniosas da revista Isto É
e outros seguimentos da imprensa rondoniense.
|