CAMPONESES AMEAÇADOS DE
DESPEJO E PRISÃO ARBITRÁRIA
O
Acampamento Raio do Sol, localizado na linha C-50, km 80 (Ariquemes
– Rondônia) possui 40 famílias que moram e produzem
nos lotes há mais de dois anos.
Os acampados já foram vítimas de quatro tentativas
de reintegrações de posse em que tiveram seus pertences
furtados, pilhas de arroz queimadas, plantações destruídas,
casas demolidas e muitos foram presos de forma arbitrária.
As ameaças de pistoleiros e policiais são constantes.
O mais revoltante é que essas terras são terras da
união e possuem uma ação de retomada pelo INCRA
na justiça federal contra os licitantes: João Luiz
da Fonseca e Dalmi Rodrigues de Morais.
Uma terra que antes era só capoeira e abandono e era apenas
usada para fins especulativos hoje possui uma produção
anual de 500 sacos de arroz, 270.000 pés de mandioca, 25.000
pés de café, 1.200 sacos de milho, 5 alqueires de
feijão, 700 galinhas, 5.000 pés de banana, 4 vacas
de leite, 6 eqüinos e 40 suínos.
Essas famílias que moram na área e toda sua produção
estão seriamente ameaçadas por uma reintegração
de posse com mandado de prisão para todos os trabalhadores
que moram no local que pode ser executada a qualquer momento. Essa
reintegração de posse foi concedida pelo juiz da comarca
de Ariquemes-RO Edílson Neuhaus e tem como único objetivo
garantir a permanência da especulação imobiliária,
já que as pessoas que se dizem donas da terra e que não
são poucas (ex: ex-prefeito de Vale do Anari-RO Nego Maturana,
Diana Maria das Mercês Galhardi, Antonio do burro, Dalmi Rodrigues
de Morais, Moacir José da silva, João Luiz da Fonseca,
etc) nunca fizeram nada além de cometer crimes ambientais
destruindo a floresta simplesmente por destruir, sem plantar ou
construir qualquer coisa na terra.
Isso mostra para que serve a proteção judicial de
muitos juízes de Rondônia: para perpetuar a existência
desse câncer que é o latifúndio, entravando
o desenvolvimento do país, concentrando a posse de grandes
extensões de terra em pouquíssimas mãos e expulsando
os verdadeiros donos das terras – os que nela trabalham!
Graças a essas decisões judiciais e à falência
da reforma agrária do governo é possível aumentar
a já grande massa de desempregados no campo e na cidade,
que os latifundiários e os grandes empresários exploram
como mão-de-obra barata.
Todas as vezes que o povo se levantou para lutar pelo seu sagrado
direito a terra e para tirar o Brasil do seu atraso secular são
perseguidos e criminalizados pelas classes mais retrogradas e seus
serviçais, em beneficio da concentração da
terra e da manutenção da miséria no nosso país.
Desde o final de março a LCP tem denunciado uma campanha
de calúnias e difamações dos camponeses de
Jacinópolis e do movimento camponês combativo em todo
o estado, orquestrada pela imprensa vendida, encabeçada pela
revista IstoÉ. A intenção deles é justificar
para a opinião pública uma repressão ainda
maior aos camponeses em luta pela terra.
Foi o que aconteceu no dia 9 de abril no Acampamento Conquista da
União em Campo Novo-RO, quando 400 camponeses foram acordados
pelas balas de mais de 100 pistoleiros fortemente armados e equipados.
Os camponeses fugiram só com a roupa do corpo e todos seus
pertences foram queimados. A terra em questão também
é da União, grilada pelo Catâneo.
Isso não pode se repetir no Acampamento Raio do Sol.
Conclamamos a todos apoiadores da luta camponesa, aos verdadeiros
democratas, a denunciarem mais esta perseguição do
judiciário de Rondônia a estas famílias cujo
único crime é sonhar por um pedaço de chão
onde possam viver com dignidade.
Conclamamos a denunciarem a reforma agrária do governo que
é só despejo aos camponeses pobres.
Conclamamos a cobrarmos do Incra uma ação imediata
de entrega das terras às famílias do Acampamento Raio
do Sol.
O
povo quer terra, não repressão!
Terra para quem nela trabalha!
Morte ao latifúndio! Viva a revolução agrária!
LCP - Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia
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