| Reproduzimos
denúncia da Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia
publicada no blog: http://www.resistenciacamponesa.com
Camponeses
retomam suas terras e são
ameaçados por fazendeiros
No
início desta semana, camponeses do Acampamento Terra Boa
retomaram suas terras na linha C-100, do município Rio Crespo.
Na quarta-feira duas caminhonetes lotadas de pistoleiros foram enviadas
pelos fazendeiros que se dizem donos da área. Estão
acampados homens e mulheres de todas as idades que lutam pelo sagrado
direito a um pedaço de terra para trabalharem e criarem seus
filhos dignamente. Há vários meses que eles enfrentam
a enrolação do Incra e as ameaças e ataques
de pistoleiros a mando de um consórcio de fazendeiros bandidos
formado para perseguir e expulsar os camponeses.
O
Sr. José Pierre Matias, que se diz dono da área e
de outras 5 áreas vizinhas, foi o mandante de uma ataque
contra o Acampamento Terra Boa no último 21 de abril. 18
pistoleiros invadiram o Acampamento fortemente armados e humilharam
os camponeses, inclusive mulheres e crianças. Eles ameaçaram
fazer uma matança se os acampados não saíssem
da área. Os pistoleiros ainda seqüestraram por algumas
horas dois camponeses da área vizinha Lamarquinha. Bateram
com a coronha de uma carabina no rosto de um deles, deixando-o muito
machucado e apontaram a arma no peito do outro camponês e
ameaçaram matá-lo. Os pistoleiros atiraram no rumo
dele, mas sem acertar. Sua esposa que assistia tudo de longe ficou
aterrorizada pensando que ele estava morto.
Comenta-se
na região que José Pierre, com medo de perder a terra
para os camponeses, vendeu-as para o Sr. Ernandes. Ele é
albergado, por isso quem está assumindo a área de
fato é seu irmão Nô, que ameaçou os camponeses
"Não sou o Pierre, vou tirar vocês eu mesmo, não
vou chamar polícia, não".
Ainda
somou-se ao bando, o Sr. Chaule, um dos três maiores madeireiros
de Cujubim, que escondeu na área do Acampamento Terra Boa
alguns de seus bois que estavam em áreas de reservas, os
chamados "bois piratas". Ele é conhecido em Cujubim
como um filhinho-de-papai que dirige em alta velocidade pelas ruas
da cidade para se mostrar. Uma funcionária do Incra falou
para camponeses do Terra Boa que Chaule é perigoso.
O
Incra sabe disto tudo e mais um pouco, mas não fazem nada.
Em uma reunião com camponeses em Porto Velho neste mês
o próprio Incra confirmou que a área não tem
nenhum documento regularizado.
Mesmo
assim os fazendeiros estão explorando a área. Camponeses
viram na mata várias madeiras piquetadas (marcadas para serem
extraídas). E em setembro de 2008 começou uma movimentação
na sede da fazenda para semearem capim.
O
Acampamento Terra Boa fica numa área de vários Burareiros
que são pedaços de terra com cerca de 400 alqueires
que o Incra concedeu a fazendeiros lá pelos anos de 1970,
que passavam a ter o direito de exploração, mas não
de posse. Muitos pegaram gordos financiamentos do governo para produzir
nas terras, mas a maioria delas não possui uma única
benfeitoria, o que retira qualquer direito destes fazendeiros sobre
as mesmas.
O
Acampamento recebe apoio da Área Lamarquinha, pois todos
sabem que o que faz desenvolver um lugar são as pessoas vivendo
e trabalhando. Os camponeses do Terra Boa passaram vários
meses acampados em um lote cedido por um camponês do Lamarquinha.
Os camponeses do Terra Boa ajudaram os companheiros do Lamarquinha
a conseguir uma escola para as crianças, que foi construída
pelos próprios camponeses com o apoio de pequenos madeireiros.
Um ajuda o outro.
Conclamamos
mais apoio de todos os camponeses, pequenos comerciantes, estudantes
e pessoas democratas de Rio Crespo, Cujubim e Ariquemes, de todo
o estado e país. Temos que denunciar a inoperância
do Incra e Ouvidoria Agrária e cumplicidade com ações
criminosas dos fazendeiros José Pierre, Ernandes, Nô
e Chaule. Nossa luta firme, organizada e ampla pode impedir mais
um massacre de camponeses em Rondônia e pode garantir a terra
a dezenas de famílias.
Queremos
avisar que qualquer coisa que aconteça com qualquer um dos
camponeses do Acampamento Terra Boa é de total responsabilidade
do Incra e da Ouvidoria Agrária e não ficará
impune!
O
povo quer terra, não repressão!
Regularização imediata das terras do Acampamento Terra
Boa!
Punição imediata para os fazendeiros criminosos José
Pierre, Ernandes, Nô e Chaule!
Viva a Revolução Agrária!
LCP
– Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia
Ocidental
Jaru,
04 de novembro de 2008
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