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Trabalhadores
entram em conflito com a PM e seguranças privados em Barro
Alto - GO!

Anglo-American
em Barro Alto
Ocorreu
no dia 2 de novembro um conflito entre trabalhadores e força
repressiva do Estado, na cidade de Barro Alto - Go, em uma obra
da Anglo-American.. Cerca de 400 trabalhadores entraram em conflito
depois da tentativa de prisão de um trabalhador em refeitório
da mineradora. Os manifestantes queimaram cerca de 64 alojamentos,
queimaram um carro da polícia e realizaram um protesto que
durou cerca de 6 horas.
Barro
Alto é uma pequena cidade do norte goiano. Teve sua formação
ligada aos movimentos de resistência negra quilombola. Sua
população vivia principalmente da vida camponesa e
rural até a instalação de indústrias
transnacionais que estavam de olho em seu sub-solo, já que
encontra-se grande riqueza mineral ali, principalmente o ferro e
o níquel.

Localização
de Barro Alto
A
Anglo-American é uma das maiores empresas do mundo no ramo
da mineração. Com o incentivo do Governos estaduais
e federal, a Anglo-American vêm se espalhando por todo o Brasil,
roubando através das lesivas exportações para
o exterior, as riquezas minerais do país.
Essa
empresa, como todas as grandes transnacionais, possui um forte esquema
de segurança privada para controlar todos os passos dos trabalhadores,
vigiando alojamentos, controlando os hábitos e mantendo uma
rigorosa disciplina de trabalho.
Para
as empresas transnacionais conseguirem uma melhor eficiência
no controle dos trabalhadores foram desenvolvidos diversos estudos
teóricos do capitalismo. Com o objetivo de elaborar um método
de exploração mais racional e eficiente do tempo de
trabalho e do espaço da fábrica, conduzindo a uma
maior produtividade do trabalhador, é que foram desenvolvidos
esses estudos da exploração do trabalhador desenvolvida
nas empresas capitalistas. O mais famoso desses estudiosos foi Taylor,
que deu origem ao conceito de taylorismo, ou seja, o controle absoluto
do trabalhador com o intuito de aumentar a produtividade da empresa
capitalista.
A
Anglo-American contratou diversas empresas nacionais, sendo a Camargo
Correia a mais importante, para tomar conta dos "peões"
das obras da Anglo-American. O nível de exploração
dos trabalhadores era o mais intenso possível. Esses dormiam
em alojamentos fornecidos pela empresa, que mantinha dura rotina
de trabalho. As câmeras de segurança registravam todos
os movimentos dos trabalhadores, até no banheiro existiam
câmeras escondidas, tudo é vigiado. Uma empresa de
segurança mantinha o controle dos funcionários, sendo
acionados ao sinal de qualquer distúrbio.
No
domingo, dia 2 de novembro, feriado, a situação era
extremamente tensa no local. Um cartaz na entrada da empresa anunciava
o estado de tensão. Eram zero dias sem acidentes de trabalho,
ou seja, um dia antes havia ocorrido um acidente, alterando os ânimos
dos operários. Bastava um fato para estourar esse barril
de pólvora.
Um
operário chegou na lanchonete do local para assistir um jogo
de futebol. O trabalhador estava sem camiseta, o que é contrário
as regras da empresa, que não admitem funcionários
andarem sem camiseta em locais comuns. O responsável pela
lanchonete pediu de forma arrogante para que o operário se
retirasse do local, onde esse falou que não iria sair. Chamaram
a segurança, que tentaram retirar o operário a força,
do qual foi impedido pelos outros operários do local. Chamaram
a polícia para retirar o operário do local. A polícia
prontamente foi atender os interesses da empresa. Chegando ao local
os policiais passaram a gritar com o operário que respondeu
na mesma altura. O policial falou que era desrespeito a autoridade
e deu voz de prisão. Os outros operários impediram
que o seu companheiro fosse preso pela polícia, tomando-o
das mãos dos policiais.
Revoltados
com toda a situação de exploração, cerca
de 400 operários partiram para a revolta contra os seus patrões.
Passaram a apedrejar a polícia e a segurança privada,
o que fez com que esses se retirassem dalí. Um dos participantes
do protesto gritou: "vamos queimar tudo!", o que foi prontamente
atendido por seus companheiros, que incendiaram o carro da polícia
e da segurança privada, além de 64 alojamentos. A
revolta durou seis horas e só foi contida depois de negociação
com os operários.
Como
resposta a rebelião dos operários da Anglo-American,
a Camargo Correia iniciou um processo de deslocamento e demissão
de trabalhadores. A revolta desses operários demonstra o
estado de tensão existente dentro das várias empresas
brasileiras, demonstrando o nível explosivo que a luta de
classes atingiu no país. A insatisfação revoltosa
desses operários não acabará, já que
o sistema implementado nessas empresas é de extrema exploração.
Esse fato nos demonstra como desdobra a situação revolucionária
que se desenvolve no país, sendo uma expressão objetiva
das contradições no chão da indústria,
entre capital e trabalho.
VIVA
A LUTA DOS OPERÁRIOS DA ANGLO-AMERICAN!
ABAIXO AS DEMISSÕES COVARDES!
NÃO ACEITEMOS A EXPLORAÇÃO CAPITALISTA!
Núcleo
da Liga Operária de Goiás
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