| Na
madrugada do dia 10 de novembro, policiais civis e militares do
município de Buritis realizaram uma operação
no distrito de Jacinópolis e nas linhas 5 e BR421 na área
Capivari.
Ao
todo quatro camponeses foram presos na operação, um
deles é dono de um bar em Jacinópolis. Os outros camponeses
são de uma das famílias mais antigas da região
e moram na linha 5, um deles é o seu Floriano que têm
60 anos de idade e mora e trabalha na região com sua família.
Durante
a prisão do camponês Marquinho, os policiais dispararam
e acertaram um tiro em sua mulher atravessando as duas pernas, felizmente
ela está bem.
Os
policiais ainda se recusaram a levar a mulher ao hospital, mas mudaram
de idéia devido à pressão da família
que estava no local. Os camponeses presos estão na delegacia
de Buritis, um deles, Floriano foi libertado hoje.
A
alegação dos policiais é de que a operação
visa combater “pistoleiros” e “terroristas”
que atuam na região de Jacinópolis.
A
operação segue em Jacinópolis e região
com a utilização de motos e carros descaracterizados
e com policiais usando capuzes. Segundo a própria policia
civil a orientação é de eliminar as pessoas
que estão sendo procuradas e não prendê-las.
Esta é na verdade a forma de atuação da polícia
de Buritis, ou seja, assassinar pobres.
Paralelo
a esta operação, está em curso uma tentativa
de alguns empresários, advogados, latifundiários e
policiais civis de Buritis grilarem uma grande área de terras
na BR-421 entre o distrito de Fortaleza até o rio Formoso,
utilizando títulos antigos de um ex-dono de seringais (conhecido
como Bersabá), ainda na época em que as terras da
região eram registradas em Manaus-AM.
Segundo
denúncia dos camponeses da região, o delegado Iramar
da policia civil de Buritis seria um dos envolvidos na grilagem
de terras. Por “coincidência” também comanda
a operação policial na região.
Há
cerca de dois meses, pequenos proprietários de terras que
residem próximo do distrito de Jacilândia, afirmaram
ter visto pessoas estranhas realizando levantamento por GPS dentro
de suas propriedades e os expulsaram. Segundo disseram, este levantamento
serviria para forjar títulos de posse em nome do tal Bersabá
na tentativa de expulsar os camponeses de suas terras.
É
provável que esta operação policial tenha como
objetivo, abrir caminho para a atuação deste grupo
de grileiros na região ao mesmo tempo em que ataca a luta
dos camponeses pobres.
Esta
ação absurda e criminosa não pode ficar impune!
Exigimos apuração das denúncias de envolvimento
do delegado Iramar na grilagem de terras!
Exigimos a punição dos policiais que dispararam contra
os camponeses!
Liberdade imediata para os camponeses presos!
O povo quer terra, não repressão!
Liga
dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental |