| Acampados
da fazenda Catâneo relatam 30 desaparecidos
Jaru,
11 de abril de 2008
O
acampamento Conquista da União, localizado próximo
à cidade de Campo Novo-RO, foi atacado na manhã do
dia 9 de abril por cerca de 100 jagunços fortemente armados,
com coletes a prova de balas, coturno e capuz preto. Os camponeses
saíram correndo sob disparos, deixando todos seus pertences
para trás. Após expulsarem as famílias, os
pistoleiros queimaram barracos com roupas, documentos pessoais e
mantimentos e a polícia apreendeu depois cerca de 20 motos
que ficaram no acampamento destruído.
O
acampamento não é direcionado pela Liga, mas independente
disso, apoiamos toda e qualquer luta camponesa e do povo por uma
vida digna de trabalho, terra, justiça e nova democracia
e contra mais de 500 anos de exploração, massacres
e injustiças no nosso País.
Ainda
na quarta-feira, recebemos vários telefonemas denunciando
a ataque covarde e alguns companheiros que sobreviveram conseguiram
chegar até a sede da Liga em Jaru confirmando as informações.
Denunciamos imediatamente a grave situação a vários
órgãos de imprensa e entidades populares. Também
repassamos o relato de camponeses que foram expulsos do local de
que cerca de 15 pessoas teriam morrido no acampamento pelas balas
dos jagunços, o que também havia sido denunciado em
vários meios de imprensa de nosso estado.
Assim
que foi possível, também verificamos in loco a situação
da área. No momento, os acampados estão na linha 02
próximo à BR 421, dormindo no relento, só com
a roupa do corpo e se alimentando graças à ajuda de
moradores do local solidários com os camponeses. Eles confirmam
o fato que já havíamos denunciado e ainda informaram
que do dia 9 para o dia 10 uma caminhonete da fazenda movimentou-se
a noite toda no local onde era o acampamento. É possível
que estivessem pegando corpos para esconder em outro local, assim
como fizeram em Santa Elina, logo após o massacre de 1995
para não deixar pistas do verdadeiro número de camponeses
assassinados pelos pistoleiros e policiais a mando do latifúndio.
Alguns
jornalistas foram até a área do acampamento Conquista
da União para acompanhar a situação, sendo
que alguns deles foram recebidos com hostilidade pelos pistoleiros
da fazenda, como relatou o próprio Roberto Gutierrez, da
Folha de Rondônia.
Outra
situação estranha é que, mesmo com todas as
denúncias e com os tiros tendo sido ouvidos a vários
quilômetros de distância, a polícia só
compareceu no local no dia 10 às 16 horas. E mesmo assim
os policiais que compareceram no local foram os membros da polícia
ambiental que trabalham dentro da fazenda Condor e que são
conhecidos na região pelos abusos cometidos contra a população
da região,em especial aos camponeses sem-terras.
Até
agora nenhum corpo foi encontrado, mas os camponeses sobreviventes
do ataque dizem que existem até 30 pessoas desaparecida.
Este número não é preciso, pois os camponeses
se espalharam enquanto fugiam do ataque. Ainda não podemos
afirmar com certeza que houveram mortes, mas também não
podemos afirmar que não houve nenhuma. A região de
Buritis tem um histórico de massacres e ataques de pistoleiros
a mando de latifundiários contra camponeses e nas últimas
semanas a campanha difamatória de setores vendidos da imprensa
nacional e estadual nos indicam a tentativa de prepararem a opinião
pública para um aumento da repressão e até
a execução de um massacre contra os camponeses pobres
em luta pela terra.
Discordamos
veementemente das afirmações de alguns veículos
de imprensa que querem insinuar que “não foram achados
mortos, portanto está tudo bem”.
Perguntamos
se está tudo bem que pistoleiros invadam acampamentos queimando
pertences do povo, atirando para todos os lados?
Rechaçamos
também outra mentira de que o ataque foi disputa entre próprios
camponeses.
Estamos
todos alertas. Muitas dúvidas ainda não foram esclarecidas.
A situação do campo em Rondônia é muito
grave. As calúnias e difamações na imprensa
contra os camponeses e a LCP seguem em curso no estado.
Mas
por outro lado, temos recebido apoio de entidades e democratas de
todas as partes do país.
Conclamamos
a todos verdadeiros democratas a se unirem contra a campanha de
difamação e repressão ao movimento camponês
em Rondônia e pela punição imediata dos autores
de mais esta ação covarde do latifúndio.
INVESTIGAÇÃO
IMEDIATA DOS DESAPARECIMENTOS NA FAZENDA CATÂNEO!
LUTAR PELA TERRA NÃO É CRIME!
TERRA PARA QUEM NELA TRABALHA!
LCP – LIGA DOS CAMPONESES POBRES DE RONDÔNIA
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