Organização da Liga

Objetivos

A Liga Operária reafirma seus objetivos aprovados no 1º Congresso:

1) Superar a consciência de categorias profissionais e mesmo da soma de categorias. É muito diferente. Tem-se que compreender que somos todos uma só e única classe de explorados e que as classes exploradoras exercem o poder de Estado através da lei, do parlamento, da justiça, da repressão policial-militar e da política de governo para impor e manter sua dominação. Romper o economicismo desenvolvendo o trabalho de massas nas esferas política, ideológica, cultural e orgânica suplantando o caráter meramente reivindicativo, apontando a questão do poder. Assumimos o sindicalismo como organização de caráter de resistência econômica das massas trabalhadoras e como escolas da luta de classes.

2) Desenvolver o espírito classista, articular e organizar trabalhadores da cidade e do campo (operários agrícolas), buscando desenvolver e fortalecer a organização de base, nos locais de trabalho, adotando diferentes formas de luta contra a patronal e seu aparelho estatal, demarcando sempre a via principal através da afirmação do princípio de que a “rebelar-se é justo” educando as massas a exercer este princípio de forma consciente e organizadamente.

3) Romper o atrelamento com o Estado através da coordenação da luta criando novas formas de organização e sustentação material, para superar e desmontar as máquinas burocráticas em que se transformaram os sindicatos. Estas formas podem ser diretas ou transitórias, dependendo das condições particulares de cada setor. Ir abolindo as formas obrigatórias de contribuição e desenvolvendo formas organizadas de contribuição voluntária. Ir substituindo o sistema presidencialista de direção por formas mais coletivas e de coordenação. Combater radicalmente todo tipo de desvio como carreirismo, personalismo, caudilhismo, mandonismo e todas as formas de individualismo. Liquidar o assistencialismo em discussão permanente com as massas.

4) Organizar uma corrente de solidariedade entre os trabalhadores para uni-los fortemente nos momentos de penúria. Criar os fundos de socorro mútuo.

5) Fortalecer como tarefa estratégica, a constituição da aliança operário-camponesa para lutar pela terra através do Programa Agrário, pela conquista de uma verdadeira e nova democracia. (ver sobre o problema agrário)

Princípios

A Liga Operária parte dos seguintes princípios:

1) As massas fazem a história.

2) A luta reivindicativa é importante mas o principal é o poder.

3) Combater o oportunismo como perigo principal.

4) Rebelar-se é justo.

5) Apoiar-se nas próprias forças.

A necessidade de se proteger

Por todas as razões que implicam a luta das massas por seus direitos, desde as condições históricas como as atuais, o movimento não pode ter a ingenuidade de esperar qualquer tratamento democrático por parte do Estado e da burguesia. É necessidade e obrigação moral assumir todas as tarefas necessárias para defender o nosso movimento e nossas organizações.

Para manter a situação imutável, o Estado brasileiro, a burguesia e o latifúndio têm larga experiência e não medem esforços para destruir qualquer organização que contrarie seus interesses, que trabalhe para transformar a situação fundiária e destruir seu sistema de exploração e opressão. O sistema se utiliza não só de todos os instrumentos que o Estado dispõe para reprimir e destruir nossa luta, mas também conta com inúmeras organizações políticas e paramilitares para executar seus planos criminosos.

Conscientizar as massas sobre a repressão, sobre o real e verdadeiro conceito de Estado, do seu papel bem como denunciar a ação do aparato repressivo. Mas não basta denunciá-los é preciso saber combatê-los. Diante da necessidade de autodefesa muitas atividades devem ser desenvolvidas e organizadas. A começar pela participação de todos na defesa da organização, das próprias massas e de nossas lideranças, que são o alvo principal de eliminação por parte do inimigo. A base de uma justa política de autodefesa é a linha justa da organização, sua aplicação e enraizamento profundo nas massas. Outros elementos são:

1-a vigilância permanente contra a infiltração do inimigo, 2-a vigilância sobre a movimentação do inimigo, 3-a obtenção de informações permanentes sobre o inimigo e a contra-informação são atividades imprescindíveis para nossa proteção e das quais todos devem participar, 4-a proteção da identidade dos companheiros mais expostos ou de companheiros que não militam na mesma área ou setor também é importante e necessária. 5-nos atos que conduzem ao enfrentamento direto com os aparatos repressivos do Estado, deve-se estar minimamente preparado para não facilitar a ação bandida e criminosa do inimigo, 6-nos enfrentamentos necessários à conquista e defesa de nossos direitos é necessário a utilização de recursos de camuflagem e cobertura do rosto para proteger a identidade de nossos militantes e ativistas.

Educar as massas sobre a experiência histórica da luta dos povos e do nosso povo brasileiro, cujas conquistas, sejam elas quais forem, só foram possíveis a vitória através da luta violenta. Educar as massas a respeito de que o inimigo exerce permanentemente a violência criminosa contra o povo e que o povo tem o direito sagrado de defender-se lançando mão da violência justa. Levantar a palavra-de-ordem: “rebelar-se é justo”.

A justa conduta moral

Uma das mais importantes lutas que tem que ser travadas cotidianamente no interior do movimento é por animar a todos ao esforço por adotar uma conduta correta, como fator determinante para destruir toda a podridão da moral burguesa hipócrita, individualista e egoísta. A luta por nossos objetivos maiores só poderá triunfar se construirmos desde já uma nova forma de convivência e relacionamento.

Combater todas as atitudes incorretas, não acobertá-las, não conciliar com condutas levianas, malandras, espertas, sabidas, desleais e desagregadoras, partam elas de quem for, é a luta principal que podemos realizar para forjar a moral e confiança coletivas e o crescimento de cada um. Exercitar a crítica e autocrítica é o modo correto de combater as mazelas que a sociedade burguesa faz penetrar em todos nós. A sociedade pela qual lutamos e sonhamos realizar, o socialismo, é feita de fraternidade e solidariedade coletivas e desde já temos que praticá-las. Lutemos para transformar nossa organização em embriões da sociedade futura.

Uma das questões a destacar-se nesta luta é o enfrentamento do problema do alcoolismo e das demais drogas. Todos sabemos o quanto é destruidor para os seres humanos do ponto de vista da saúde física e mental e da vida social e familiar. A sociedade capitalista estimula e facilita a utilização das drogas por duas razões: a primeira é que ela representa um fabuloso negócio onde se lucra bilhões de reais; a segunda, é que a droga, o alcoolismo são instrumentos eficientes para afastar as massas da compreensão real dos seus problemas, tornando-as apáticas e descrentes, facilitando sua exploração e dominação, criando um ambiente de decomposição social e facilitar as atividades provocativas e de infiltração da reação.

O papel do dirigente

Os dirigentes das organizações classistas, em qualquer nível, devem ser exemplos de disciplina, de seriedade, de retidão moral e de responsabilidade no cumprimento das tarefas. Devem ser exemplo de combatividade, de solidariedade e de compromisso com os objetivos do movimento. Devem ser firmes no enfrentamento com o inimigo, estando sempre atentos em preparar as massas para enfrentar a violência que a burguesia, o latifúndio e o Estado praticam contra elas.

O dirigente não pode deixar-se iludir com a bajulação que às vezes o governo, a imprensa, a burguesia, os latifundiários e os políticos fazem com as lideranças do povo. Isto é sempre para comprá-las, para tirá-las da luta. O companheiro que assume a função de direção deve ter a consciência de que sobre ele a cobrança será sempre maior, que deve ser sempre o primeiro a cumprir as decisões das bases e que todos estarão vigilantes sobre sua conduta política e moral.

O dirigente não pode nunca usar sua condição de membro da direção para tirar vantagem própria ou para projetos pessoais. Ninguém é obrigado a aceitar a função de direção; mas se aceitou, sabe que suas responsabilidades são maiores; se acha que não tem condições de assumi-las, que renuncie.

O dirigente deve ser atencioso, paciente, simples e humilde no trato com os companheiros e as massas. Deve ser sempre preocupado em se desenvolver, em estudar, em participar de cursos e atividades de formação organizadas pelo movimento, orientando sua prática na crítica e autocrítica permanente.

A direção deve ter uma particular atenção em sempre apoiar e estimular a participação da mulher. Sem a participação e a presença organizada da mulher em nosso movimento fica pela metade em todos os sentido o trabalho com as massas, e não tem chances de vitória.

Nossa luta será penosa e longa. Por isso é também importante integrar os jovens e crianças na luta. Estimular o estudo, o esporte, a cultura, desenvolver neles o amor à ciência, ao trabalho e incorporá-los cedo na luta da classe.

Normas Disciplinares

As relações dos membros da Liga Operária, sejam a nível de base, ou direção estão assentadas nos princípios do centralismo democrático. O descumprimento e violações do mesmo de suas normas e de sua linha política serão sancionados com base nos seguintes critérios e punições:

1 – violações brandas: advertência, crítica e autocrítica.

2 – violações graves: afastamento das funções com ou não perdas de direitos dependendo da gravidade e conduta perante a crítica e punição, crítica e autocrítica e reeducação pelo trabalho.

3 – traição: expulsão e denúncia pública de seus atos.

Para avaliação e julgamento das violações será organizada Comissão Especial Disciplinar por indicação de Assembléias, reuniões ou Coordenação. Nesse processo, o membro em questão terá o amplo direito de defesa.
Para o caso de expulsão, o processo se fará por um Tribunal Especial formado para esta finalidade por indicação do Conselho de Representantes ou Assembléias.

Organização de base

- comissões de base: organizadas por profissão, longe dos olhos da patronal e de seus agentes podendo ser por locais de moradia ou nos locais de trabalho (fábricas, garagens, canteiros de obras, escolas, etc.); zelar pela clandestinidade da organização.

- trabalho com os desempregados: organizá-los por bairro para enfrentar coletivamente o problema da sobrevivência; desenvolver grupos de ajuda mútua; desenvolver atividades de formação profissional; organizar aqueles que foram expulsos do campo e se disponham voltar para tomar terra e garantir o sustento da família.

- junto com as comissões de base devem ser construídas escolas populares; elas são muito importantes para a politização do trabalho das comissões de base; cursos de alfabetização de adultos, cursos de formação profissional, são exemplos de atividades que podem ser realizadas.

- total apoio à luta e organização das mulheres. No momento histórico no qual nos encontramos, de desenvolvimento de novo assenso do movimento popular, torna-se indispensável a organização das mulheres num vigoroso Movimento Feminino Popular, agregando a força da metade das classes oprimidas na luta classista e combativa. Apoiar portanto a construção de núcleos do MFP junto às comissões de base para impulsionar a participação das mulheres, contribuindo para sua politização e enfrentamento de todas as formas de discriminação ou depreciação da mulher.


Leia aqui as outras partes

I - Movimento Sindical no Brasil: Balanço histórico

II - A auto-crítica do sindicalismo de Estado e a formação da Liga Operária:

A busca da construção do sindicalismo classista, combativo e independente

IV - Programa geral da resistência dos trabalhadores

V - Construir o programa democrático e estratégico dos trabalhadores

VI - Plano de lutas imediatas e para a unidade de ação