Exigimos
o fim das torturas e atrocidades cometidas contra os presos no sistema
carcerário de Rondônia

Reunião
e protesto realizado pela Associação de Familiares e
Amigos dos Presos de Rondônia
Em
face dos relatos de atrocidades e da repressão continuada perpetrada
contra os presos do sistema carcerário de Rondônia, particularmente
nos presídios José Mário Alves, o “Urso
Branco”, e no presídio Edvan Mariano, o “Urso Panda”,
vimos exigir o imediato fim das atrocidades, rigorosa apuração
dos fatos e punição dos culpados.
Testemunhos de presos e familiares dão conta que estão
sendo praticadas torturas e diversas arbitrariedades, já há
vários dias, contra os detentos nesses presídios.
Segundo informações da Secretaria de Estado de Administração
Penitenciaria - Seapen - coletadas na página eletrônica
“Rondônia agora” (http://www.rondoniagora.com/web/ra/busca.asp)
“nada de anormal está acontecendo dentro da Carceragem
e que a suspensão de algumas regalias tem o objetivo de disciplinar
e colocar ordem no sistema.”
A verdade é que desde a recente troca da direção
do presídio se avolumam os casos de denúncias de arbitrariedades,
torturas e agressões contra os presos e seus familiares. Segundo
informações, o novo diretor do presídio quer
mostrar que é linha dura, não impedindo as torturas
físicas e psicológicas dos presos".
As esposas e mães dos presos criaram inclusive a Associação
de Parentes e Amigos de Detentos com o objetivo de lutar contra o
tratamento cruel e desumano e pelos direitos dos presos. As famílias
dos presos percorreram uma série de instituições
no Estado, como o Ministério Publico e a Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB), cobrando ações contra os abusos cometidos
pela direção do Presídio Urso Branco contra os
apenados e seus familiares.
As mães dos presos e um detento, em relato gravado por um jornal
eletrônico – Rondônia ao vivo (http://www.rondoniaovivo.com/exibenot1.php?id=20550)
– denunciam que os presos foram mantidos no pátio sem
água, comida, vestidos apenas de cueca e totalmente expostos
ao sol do dia 3 ao dia 6 de outubro. Isso acarretou lesões
e queimaduras de 2º e 3º graus. Também os colchões
foram tomados e pertences pessoais dos presos como roupas, televisores
e até documentos foram queimados pelos agentes da companhia
de operações especiais (COE) da policia militar.
Os presos retornaram para a carceragem, ficando mais 5 dias sem comida
e água e a policia atirou contra a carceragem semeando o horror
entre os detentos. Presos estão sendo continuamente torturados,
ameaçados de morte e alguns estão baleados.
Na terça-feira, dia 10 de outubro, a polícia atirou
contra os familiares que aguardavam no lado de fora do presídio
Urso Branco o desenrolar da rebelião. Segundo os familiares,
os policiais se irritaram com a presença dos parentes dos presos
no local e resolveram dispersar a multidão como se aqueles
fossem bandidos. Também foram usados tiros de borracha e bombas
de gás lacrimogêneo. (http://www.oobservador.com/new/read.asp?id=9114)
Cerca de 100 mulheres estavam acampadas do lado de fora do presídio
aguardando notícias de maridos, filhos e parentes, protestando
muito diante da falta de notícias. A situação
ficou tensa desde segunda-feira, quando vários apenados foram
mantidos no pátio da instituição e foram suspensas
as visitas. De acordo com denúncias vindas dos presos e familiares,
os detentos eram obrigados a ficarem durante todo o dia, nus, no pátio
do presídio sob o sol forte. Além das queimaduras causadas
pelo sol, os presos não conseguiam dormir à noite devido
o forte incomodo causado pela insolação. Diante destas
denúncias, um helicóptero de um jornal de grande circulação
tentou sobrevoar o presídio para fotografar a barbaridade,
mais foi impedido, sob o risco de ser abatido a tiros. Até
advogados foram impedidos de entrar no presídio e cumprir o
direito constitucional de conversar com seus clientes.
O membro da Comissão de Justiça e Paz, padre Paulo Tadeu,
denunciou a situação de tortura contra um considerável
número de presos que foram obrigadas a ficar dessa forma no
pátio por três dias, sem qualquer condição
de higiene e conforto. Ele teve acesso ao presídio e registrou
em fotos as condições em que se encontravam os presos
e enviou as denúncias para a Corte Interamericana de Direitos
Humanos, pedindo uma vistoria nos presídios de Rondônia.
Na tarde do dia 9, segunda-feira, o dedo de um dos preso foi amputado
e jogado do lado de fora do presídio Urso Panda. Os presos
da penitenciária Urso Panda, ficaram amotinados de domingo,
dia 8 à quarta-feira, dia 10/10, e foram mantidos sem água,
comida e energia elétrica. Os presos, junto com 37 familiares,
exigiam a mudança da desumana direção do presídio,
respeito no tratamento aos familiares, banho de sol e outras mínimas
condições carcerárias, direitos que já
deveriam estar sendo cumpridos como determina a lei.
Segundo o próprio diretor do Departamento Penitenciário
Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, Maurício
Kuehne, a situação no presídio é crítica.
Há superlotação e mil e cem detentos superlotam
as celas construídas para abrigar apenas 360. Ainda de acordo
com o diretor, há apenas um médico no presídio,
não há psiquiatra e nem separação entre
presos definitivos e provisórios.
Falando em nome da Associação dos Parentes e Amigos
dos Detentos de Rondônia - Apad, entidade criada recentemente,
Erondina da Silva Tavares afirmou que o atual diretor do presídio
é o mesmo que atuava em 2002, quando ocorreu uma chacina no
Urso Branco. Ela teme que outros crimes de grande repercussão
aconteçam em razão da forma como o diretor conduz a
unidade prisional. (http://www.oobservador.com/new/read.asp?id=9283)
Outra representante da APAD, Faina Juliane Silva afirmou que objetos
entregues aos apenados nos últimos dias foram encontrados no
lixo. Ela disse que remédios, objetos de higiene pessoal, documentos
relacionados à situação prisional estavam entre
os bens jogados fora. Faina apresentou documentos e fotografias que
foram recolhidos do lixão.
Repudiamos estes atos de terrorismo que o governo do Estado e a polícia
estão cometendo. Enquanto os presos, todos de origem pobre,
são tratados com total barbárie e violências,
os grandes criminosos de Rondônia estão soltos e tratados
com toda deferência. Como é o caso de um dos integrantes
da quadrilha de deputados, juizes, e outros ricaços de Rondônia
que foram recentemente detidos e rapidamente soltos; o presidente
afastado do Poder Legislativo, Carlão Oliveira, que teve aprovada
pela Assembléia Legislativa do Estado em primeira e segunda
votação na noite desta terça-feira (31.10) a
suspensão da ação penal movida pela Justiça
de Rondônia contra ele.
Exigimos
o fim das atrocidades, a imediata e rigorosa apuração
dos fatos e punição dos culpados.
Belo
Horizonte, 1º de novembro de 2006
Raquel
Scarlatelli
Presidente do CEBRASPO / Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos
Coordenadora da ILPS / Liga Internacional de Luta dos Povos
Gerson Lima – Liga Operária
Osmir Venuto – Presidente do Sindicato dos Trabalhadores na
Indústria da Construção de Belo Horizonte e Região
Metropolitana
Geraldo Mascarenhas – Coordenador Político do Sindicato
dos
Trabalhadores em Transporte Rodoviários de Belo Horizonte.