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Situação da luta pela terra em Rondônia
Camponeses
se preparam para resistir aos ataques do governo, polícia
e latifúndio
No dia 21 de fevereiro, a juíza da comarca de Alta Floresta,
Sandra Beatriz Merenda, reuniu-se com o comando das policias, Incra
e os latifundiários Antônio e Ruth Morimoto para acertar
os detalhes sobre a expulsão das 120 famílias acampadas
na fazenda Sol Nascente, que fica em Alto Alegre dos Parecis, região
de Rolim de Moura.. A juíza expediu ordem de despejo para
o dia 29 de março.
O
acampamento Che Guevara possui cerca de 600 pessoas que vivem e
trabalham há oito anos na área A terra é disputada
pelo ex-deputado federal (SP) Antônio Morimoto, dono de emissoras
de rádio e televisão em todo estado. Segundo declarações
do MST a área é da União e o Incra chegou a
declará-la improdutiva, estabelecendo um acordo para pagar
as benfeitorias.
Um grande aparato policial está sendo montado para a retirada
das famílias, ao todo serão utilizados 500 policiais,
a operação de guerra vai durar 6 dias e custará
ao governo 100 mil reais. Fazendeiros estão pagando o transporte
e contratando jagunços para destruir casas e queimar as plantações
A previsão da colheita para este ano é de 50 mil sacas
de grãos, se houver o despejo serão perdidas.
A imprensa reacionária está publicando matérias
que cobram repressão e anunciam um massacre contra os camponeses.
O latifundiário em entrevista à TV recusou qualquer
negociação e disse que a liminar tem que ser cumprida.
O Governador Ivo Cassol (PSDB) lavou as mãos, dizendo que
o despacho da juíza é claro e deve ser cumprido.
Os pequenos e médios comerciantes estão preocupados
com a retirada das famílias, pois isso vai prejudicar enormemente
a economia da cidade.
A direção do MST que esperava quebrar a liminar através
de negociações entre o Incra e o latifundiário
quase não se pronunciou sobre a possibilidade de resistir,
por ordem da coordenação mulheres e crianças
estão sendo retiradas do acampamento.
Os camponeses sabem que para ficar nas terras terão de resistir
bravamente e estão se preparando para enfrentar os ataques
covardes das tropas da PM e jagunços. É grande a movimentação
de familiares, amigos e simpatizantes na área do acampamento,
eles levam solidariedade e apoio aos camponeses.
O povo quer lutar! Não aguenta mais esperar pela reforma
agrária que nunca sai!
A gerência Lula/FMI através de acordo no final de 2003
com as direções do MST, Contag e CPT prometeu assentar
445 mil famílias até 2006, sendo 115 mil famílias
em 2005. Mas o que o tem feito? Nada, nenhuma terra foi entregue
aos camponeses. Para este ano Lula já anunciou o corte de
50% no orçamento de sua reforma agrária, mas investe
pesado na contratação e treinamento de policiais e
nas operações de despejo e desarmamento, isso prova
que o objetivo é mesmo criminalizar os que lutam pela terra.
Mas latifundiários assassinos seguem impunes e fortemente
armados com a conivência de juízes e policiais corruptos.
No plano econômico Lula mantém a maior taxa de juros
do mundo, os banqueiros agradecem e festejam o maior lucro da história
. Tudo às custas do sangue e suor do heróico povo
brasileiro.
A chacina de camponeses em Felisburgo-MG, o assassinato de camponeses
e da missionária Dorothy Stang em Paraúpebas-PA, os
ataques e perseguições contra camponeses em Quipapá
-PE e Mathias Cardoso no norte de Minas, a expulsão violenta
das 4000 famílias do acampamento Sonho Real em Goiânia-GO
com 3 mortes oficiais e cerca de 30 corpos desaparecidos demonstram
que deste governo só podemos esperar mesmo é repressão
e cesta básica podre.
Latifundiário
comanda a prisão de 67 camponeses
No dia 5 de março os camponeses acampados na fazenda Cruzeiro
do Sul, que fica próxima a Jaci-Paraná se deslocavam
de seus lotes para realizar uma assembléia quando policiais
civis e ambientais numa verdadeira operação de guerra
atacaram a área, impedindo a reunião e dando inicio
à expulsão das famílias de camponeses. Na ação
foram presos 67 camponeses, inclusive mulheres e crianças,
apreenderam também 2 automóveis, 13 motocicletas e
várias ferramentas de trabalho. O objetivo declarado na imprensa
era capturar os líderes e apreender supostas armas dos camponeses.
Dois dos lideres conseguiram escapar ao cerco policial, mas estão
sendo perseguidos na região. Toda a operação
foi comandada pelo latifundiário Sebastião Tenani
que deu ordens aos policiais e jagunços armados. Os camponeses
foram levados para a Delegacia de policia em Porto Velho onde sofreram
humilhações de todo tipo, foram chamados de marginais,
criminosos e bandidos. Nenhuma arma foi encontrada com os camponeses.
A operação dá inicio aos planos de expulsão
das 10 mil famílias do projeto União Bandeirantes,
que foram interrompidos no ano passado diante da enorme resistência
dos camponeses que fecharam a BR-364 por 4 dias no trecho entre
Porto Velho e Rio Branco no Acre exigindo a regularização
das terras. Algumas famílias vivem e produzem na área
há 20 anos.
Camponeses
resistem ao despejo em Jacinópolis II
No dia 21 de fevereiro houve uma reunião em Buritis comandada
pelo major da PM Lauri Eloi Beutler para tratar das reintegrações
de posse da região, participaram autoridades do município,
representantes do Incra, OAB, Ministério Público e
a juíza Christian Carla de Almeida Freitas.
Nenhum representante do acampamento Jacinópolis II foi convocado
a participar.Na reunião o promotor de justiça Pedro
Wagner de Almeida Pereira Jr., solicitou que a PM fosse mais ousada
nos despejos, com isso insinuou que a PM deve usar mais violência.
A juíza Christian disse que esteve na área do acampamento
por 4 vezes, mas não foi vista por nenhum acampado. O estranho
é que no processo da área não há inspeção
judicial.. Talvez deve ter confundido a área do acampamento
com a sede da fazenda.
No
dia 09 de março as 80 famílias da LCP foram despejadas
pela PM, a operação contou com 35 policias do COE,
além de vários pistoleiros que queimaram os barracos.
O comandante da PM virou as costas no momento da queimada dizendo
que não era ele quem ateava fogo, num evidente cinismo, pois
o que acontecia ali tinha seu respaldo.
Apesar da ação truculenta da PM e jagunços
os camponeses não se intimidaram e 2 dias depois retornaram
para as terras onde iniciaram uma roça coletiva.
Estas famílias estavam acampadas em Montenegro e foram expulsas
em 2003. Algumas estavam nas terras há quase 20 anos e com
título definitivo de propriedade. Na época o Ibama
comandou a retirada das famílias, pois dizia que ameaçavam
a reserva Florestal Bom Futuro. O Incra assinou documento em que
se comprometia a assentar as famílias em 2004
Camponeses
prendem e amarram jagunço em Monte Negro
No acampamento Terra Prometida que fica entre os municípios
de Monte Negro e Alto Paraíso mais de 126 famílias
da LCP estão sendo ameaçadas pelos mesmos pistoleiros
que assassinaram em 2003 o casal de camponeses Tonha e Serafim.
Os companheiros eram líderes do acampamento e foram assassinados
quando retornavam para a área depois de uma reunião
com o Incra em Ariquemes, eles denunciaram que estavam sendo ameaçados
de morte por latifundiários da região, mas nenhuma
providência foi tomada pelo Incra. Na semana passada pistoleiros
atiraram contra camponeses do acampamento, mas nenhum foi atingido.
Os camponeses conseguiram prender um jagunço, que foi amarrado
no local para que a policia realizasse sua prisão. Mas quem
veio na viatura acompanhado de 4 policiais foi o latifundiário
Elinge, os camponeses se recusaram a entregar o jagunço pois
disseram aos policiais que estes estavam a serviço do latifundiário,
eram jagunços fardados e logo soltariam o bandido. O latifundiário
e os policiais tiveram que retornar sem o capanga, somente quando
a policia federal esteve no local é que foi entregue o jagunço
e realizado depoimento dos camponeses sobre o acontecimento.
Esta área está ajuizada e já foi cortada em
lotes onde os camponeses estão produzindo há dois
anos.
Membro
da Comissão “Paz no Campo” organiza grupos armados
Liderados por Sebastião Conti Neto latifundiários de
Jaru, Ariquemes, Porto Velho, Buritis e outras regiões estão
se reunindo com o intuito de aumentar a organização
de suas milícias para enfrentar o crescimento das tomadas de
terra no estado. Segundo boatos que correm estes grupos armados atuariam
na expulsão de camponeses nas áreas de maior conflito
e no extermínio de membros da LCP e outras lideranças
de movimentos. Sebastião Conti Neto é latifundiário
presidente da APRRO- Associação dos Produtores Rurais
de Rondônia (antiga UDR), também é membro efetivo
da Comissão “Paz no Campo”, ao lado de Olavo Nienow
do Incra, do comando das policias e do Ouvidor agrário nacional,
o que legitima e acoberta suas ações criminosas contra
os camponeses pobres.
Incra
está jogando povo contra povo
Em Theobroma mais de 250 famílias do MST estão acampadas
numa área reivindicada pela LCP a mais de 5 anos, elas foram
levadas ao local pelo INCRA. A área é conhecida como
acampamento Lamarca II sofreu ataques de jagunços no ano
passado quando a policia expulsou as famílias. Desde então
elas se preparavam para retomar a área. O INCRA sabia disso,
e mesmo assim orientou à direção do MST a entrar
na área, parece que pretende criar atritos e contradições
entre os movimentos, jogar um contra o outro.
As
famílias do MST estão acampadas há 6 anos sem
que a questão de suas terras tenha sido resolvida. Quando
estavam na Fazenda do Zé Alagoano, em Ouro Preto do Oeste,
foram despejadas pela Policia Militar e levadas pelo superintendente
do INCRA Olavo Nienow para um assentamento em Mirante da Serra com
a promessa de que está situação seria provisória.
Ficaram um ano e meio embaixo de lona e sem poder produzir!
Em
junho de 2004, Lula esteve no acampamento onde realizou grande propaganda
da reforma agrária e prometeu que as famílias seriam
assentadas em menos de dois meses. Agora o INCRA levou as famílias
de Mirante da Serra para Theobroma. Segundo informações
o governo federal destinou ao Incra 130 mil reais para custear o
deslocamento das famílias.
Desde a semana passada a direção do MST está
proibindo as famílias de camponeses de se comunicarem e de
jogarem bola com os camponeses do acampamento Lamarca, os que teimam
são punidos com trabalho forçado, advertências
e ameaças de expulsão. Isso demonstra sua forma autoritária
de dirigir camponeses, querem controlar a massa para seguir usando
em suas manobras oportunistas de acampamentos eternos. Um dia a
casa cai, e já está caindo!
Jagunço
ingressa na polícia
Recentemente recebemos informações de que um homem chamado
Irley da Costa teria sido aprovado em concurso e está fazendo
academia, portanto prestes a ingressar na PM. Este homem, caso se
confirme a informação é sobrinho do latifundiário
Antônio Martins dos Santos o “Galo Velho” dono da
Leme Empreendimentos Ltda que negocia lotes com o Incra, conhecido
grileiro de terras, ladrão de madeiras, responsável
e mandante de vários crimes contra camponeses. Irley ou “Neguinho”
já foi denunciado por liderar grupos de jagunços armados
que faziam Blitz nas estradas da região de Cujubim e Jaru e
responde a processo criminal.
Ouvidoria
agrária não resolve o problema das terras
Em Cacaulândia os
camponeses do acampamento Cristo Rei estão sofrendo ameaças
constantes desde janeiro Grupos de 7 a 15 jagunços armados
e encapuzados transitam pela área advertindo os camponeses
para saírem das terras ou serão mortos e perderão
seus bens, estão tentando impedir que os camponeses colham
o arroz que plantaram. Os latifundiários responsáveis
são Márcio Volpato Catâneo, Zé Rodrigues
e Aparecido.
A área é formada por antigos burareiros, pequenas
áreas de terra concedidas pelo Incra nas décadas de
70 e 80 a fazendeiros que passavam a ter o direito de exploração,
mas não de posse. Muitos pegaram gordos financiamentos do
governo para produzir nas terras, mas a maioria delas não
possui uma única benfeitoria, o que retira qualquer direito
destes latifundiários sobre as mesmas. Em 2003 o Ouvidor
Agrário e o Incra garantiram que as terras seriam dos camponeses,
e que poderiam ser ganhas através do crédito fundiário,
já que são áreas pequenas e não podem
ser desapropriadas.
Viva os 10 anos da heróica resistência
camponesa em Corumbiara!
Conquistar a terra, destruir o latifúndio!
Liga
dos Camponeses Pobres de Rondônia - LCP/RO
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