Jaru, 16 de março de 2005
Situação da luta pela terra em Rondônia


Camponeses se preparam para resistir aos ataques do governo, polícia e latifúndio


No dia 21 de fevereiro, a juíza da comarca de Alta Floresta, Sandra Beatriz Merenda, reuniu-se com o comando das policias, Incra e os latifundiários Antônio e Ruth Morimoto para acertar os detalhes sobre a expulsão das 120 famílias acampadas na fazenda Sol Nascente, que fica em Alto Alegre dos Parecis, região de Rolim de Moura.. A juíza expediu ordem de despejo para o dia 29 de março.

O acampamento Che Guevara possui cerca de 600 pessoas que vivem e trabalham há oito anos na área A terra é disputada pelo ex-deputado federal (SP) Antônio Morimoto, dono de emissoras de rádio e televisão em todo estado. Segundo declarações do MST a área é da União e o Incra chegou a declará-la improdutiva, estabelecendo um acordo para pagar as benfeitorias.
Um grande aparato policial está sendo montado para a retirada das famílias, ao todo serão utilizados 500 policiais, a operação de guerra vai durar 6 dias e custará ao governo 100 mil reais. Fazendeiros estão pagando o transporte e contratando jagunços para destruir casas e queimar as plantações A previsão da colheita para este ano é de 50 mil sacas de grãos, se houver o despejo serão perdidas.

A imprensa reacionária está publicando matérias que cobram repressão e anunciam um massacre contra os camponeses. O latifundiário em entrevista à TV recusou qualquer negociação e disse que a liminar tem que ser cumprida. O Governador Ivo Cassol (PSDB) lavou as mãos, dizendo que o despacho da juíza é claro e deve ser cumprido.
Os pequenos e médios comerciantes estão preocupados com a retirada das famílias, pois isso vai prejudicar enormemente a economia da cidade.

A direção do MST que esperava quebrar a liminar através de negociações entre o Incra e o latifundiário quase não se pronunciou sobre a possibilidade de resistir, por ordem da coordenação mulheres e crianças estão sendo retiradas do acampamento.
Os camponeses sabem que para ficar nas terras terão de resistir bravamente e estão se preparando para enfrentar os ataques covardes das tropas da PM e jagunços. É grande a movimentação de familiares, amigos e simpatizantes na área do acampamento, eles levam solidariedade e apoio aos camponeses.

O povo quer lutar! Não aguenta mais esperar pela reforma agrária que nunca sai!

A gerência Lula/FMI através de acordo no final de 2003 com as direções do MST, Contag e CPT prometeu assentar 445 mil famílias até 2006, sendo 115 mil famílias em 2005. Mas o que o tem feito? Nada, nenhuma terra foi entregue aos camponeses. Para este ano Lula já anunciou o corte de 50% no orçamento de sua reforma agrária, mas investe pesado na contratação e treinamento de policiais e nas operações de despejo e desarmamento, isso prova que o objetivo é mesmo criminalizar os que lutam pela terra. Mas latifundiários assassinos seguem impunes e fortemente armados com a conivência de juízes e policiais corruptos.

No plano econômico Lula mantém a maior taxa de juros do mundo, os banqueiros agradecem e festejam o maior lucro da história . Tudo às custas do sangue e suor do heróico povo brasileiro.

A chacina de camponeses em Felisburgo-MG, o assassinato de camponeses e da missionária Dorothy Stang em Paraúpebas-PA, os ataques e perseguições contra camponeses em Quipapá -PE e Mathias Cardoso no norte de Minas, a expulsão violenta das 4000 famílias do acampamento Sonho Real em Goiânia-GO com 3 mortes oficiais e cerca de 30 corpos desaparecidos demonstram que deste governo só podemos esperar mesmo é repressão e cesta básica podre.


Latifundiário comanda a prisão de 67 camponeses


No dia 5 de março os camponeses acampados na fazenda Cruzeiro do Sul, que fica próxima a Jaci-Paraná se deslocavam de seus lotes para realizar uma assembléia quando policiais civis e ambientais numa verdadeira operação de guerra atacaram a área, impedindo a reunião e dando inicio à expulsão das famílias de camponeses. Na ação foram presos 67 camponeses, inclusive mulheres e crianças, apreenderam também 2 automóveis, 13 motocicletas e várias ferramentas de trabalho. O objetivo declarado na imprensa era capturar os líderes e apreender supostas armas dos camponeses. Dois dos lideres conseguiram escapar ao cerco policial, mas estão sendo perseguidos na região. Toda a operação foi comandada pelo latifundiário Sebastião Tenani que deu ordens aos policiais e jagunços armados. Os camponeses foram levados para a Delegacia de policia em Porto Velho onde sofreram humilhações de todo tipo, foram chamados de marginais, criminosos e bandidos. Nenhuma arma foi encontrada com os camponeses.

A operação dá inicio aos planos de expulsão das 10 mil famílias do projeto União Bandeirantes, que foram interrompidos no ano passado diante da enorme resistência dos camponeses que fecharam a BR-364 por 4 dias no trecho entre Porto Velho e Rio Branco no Acre exigindo a regularização das terras. Algumas famílias vivem e produzem na área há 20 anos.


Camponeses resistem ao despejo em Jacinópolis II


No dia 21 de fevereiro houve uma reunião em Buritis comandada pelo major da PM Lauri Eloi Beutler para tratar das reintegrações de posse da região, participaram autoridades do município, representantes do Incra, OAB, Ministério Público e a juíza Christian Carla de Almeida Freitas.
Nenhum representante do acampamento Jacinópolis II foi convocado a participar.Na reunião o promotor de justiça Pedro Wagner de Almeida Pereira Jr., solicitou que a PM fosse mais ousada nos despejos, com isso insinuou que a PM deve usar mais violência. A juíza Christian disse que esteve na área do acampamento por 4 vezes, mas não foi vista por nenhum acampado. O estranho é que no processo da área não há inspeção judicial.. Talvez deve ter confundido a área do acampamento com a sede da fazenda.

No dia 09 de março as 80 famílias da LCP foram despejadas pela PM, a operação contou com 35 policias do COE, além de vários pistoleiros que queimaram os barracos. O comandante da PM virou as costas no momento da queimada dizendo que não era ele quem ateava fogo, num evidente cinismo, pois o que acontecia ali tinha seu respaldo.
Apesar da ação truculenta da PM e jagunços os camponeses não se intimidaram e 2 dias depois retornaram para as terras onde iniciaram uma roça coletiva.

Estas famílias estavam acampadas em Montenegro e foram expulsas em 2003. Algumas estavam nas terras há quase 20 anos e com título definitivo de propriedade. Na época o Ibama comandou a retirada das famílias, pois dizia que ameaçavam a reserva Florestal Bom Futuro. O Incra assinou documento em que se comprometia a assentar as famílias em 2004


Camponeses prendem e amarram jagunço em Monte Negro


No acampamento Terra Prometida que fica entre os municípios de Monte Negro e Alto Paraíso mais de 126 famílias da LCP estão sendo ameaçadas pelos mesmos pistoleiros que assassinaram em 2003 o casal de camponeses Tonha e Serafim. Os companheiros eram líderes do acampamento e foram assassinados quando retornavam para a área depois de uma reunião com o Incra em Ariquemes, eles denunciaram que estavam sendo ameaçados de morte por latifundiários da região, mas nenhuma providência foi tomada pelo Incra. Na semana passada pistoleiros atiraram contra camponeses do acampamento, mas nenhum foi atingido.

Os camponeses conseguiram prender um jagunço, que foi amarrado no local para que a policia realizasse sua prisão. Mas quem veio na viatura acompanhado de 4 policiais foi o latifundiário Elinge, os camponeses se recusaram a entregar o jagunço pois disseram aos policiais que estes estavam a serviço do latifundiário, eram jagunços fardados e logo soltariam o bandido. O latifundiário e os policiais tiveram que retornar sem o capanga, somente quando a policia federal esteve no local é que foi entregue o jagunço e realizado depoimento dos camponeses sobre o acontecimento.

Esta área está ajuizada e já foi cortada em lotes onde os camponeses estão produzindo há dois anos.


Membro da Comissão “Paz no Campo” organiza grupos armados


Liderados por Sebastião Conti Neto latifundiários de Jaru, Ariquemes, Porto Velho, Buritis e outras regiões estão se reunindo com o intuito de aumentar a organização de suas milícias para enfrentar o crescimento das tomadas de terra no estado. Segundo boatos que correm estes grupos armados atuariam na expulsão de camponeses nas áreas de maior conflito e no extermínio de membros da LCP e outras lideranças de movimentos. Sebastião Conti Neto é latifundiário presidente da APRRO- Associação dos Produtores Rurais de Rondônia (antiga UDR), também é membro efetivo da Comissão “Paz no Campo”, ao lado de Olavo Nienow do Incra, do comando das policias e do Ouvidor agrário nacional, o que legitima e acoberta suas ações criminosas contra os camponeses pobres.

Incra está jogando povo contra povo


Em Theobroma mais de 250 famílias do MST estão acampadas numa área reivindicada pela LCP a mais de 5 anos, elas foram levadas ao local pelo INCRA. A área é conhecida como acampamento Lamarca II sofreu ataques de jagunços no ano passado quando a policia expulsou as famílias. Desde então elas se preparavam para retomar a área. O INCRA sabia disso, e mesmo assim orientou à direção do MST a entrar na área, parece que pretende criar atritos e contradições entre os movimentos, jogar um contra o outro.

As famílias do MST estão acampadas há 6 anos sem que a questão de suas terras tenha sido resolvida. Quando estavam na Fazenda do Zé Alagoano, em Ouro Preto do Oeste, foram despejadas pela Policia Militar e levadas pelo superintendente do INCRA Olavo Nienow para um assentamento em Mirante da Serra com a promessa de que está situação seria provisória. Ficaram um ano e meio embaixo de lona e sem poder produzir!

Em junho de 2004, Lula esteve no acampamento onde realizou grande propaganda da reforma agrária e prometeu que as famílias seriam assentadas em menos de dois meses. Agora o INCRA levou as famílias de Mirante da Serra para Theobroma. Segundo informações o governo federal destinou ao Incra 130 mil reais para custear o deslocamento das famílias.
Desde a semana passada a direção do MST está proibindo as famílias de camponeses de se comunicarem e de jogarem bola com os camponeses do acampamento Lamarca, os que teimam são punidos com trabalho forçado, advertências e ameaças de expulsão. Isso demonstra sua forma autoritária de dirigir camponeses, querem controlar a massa para seguir usando em suas manobras oportunistas de acampamentos eternos. Um dia a casa cai, e já está caindo!


Jagunço ingressa na polícia


Recentemente recebemos informações de que um homem chamado Irley da Costa teria sido aprovado em concurso e está fazendo academia, portanto prestes a ingressar na PM. Este homem, caso se confirme a informação é sobrinho do latifundiário Antônio Martins dos Santos o “Galo Velho” dono da Leme Empreendimentos Ltda que negocia lotes com o Incra, conhecido grileiro de terras, ladrão de madeiras, responsável e mandante de vários crimes contra camponeses. Irley ou “Neguinho” já foi denunciado por liderar grupos de jagunços armados que faziam Blitz nas estradas da região de Cujubim e Jaru e responde a processo criminal.

Ouvidoria agrária não resolve o problema das terras


Em Cacaulândia os camponeses do acampamento Cristo Rei estão sofrendo ameaças constantes desde janeiro Grupos de 7 a 15 jagunços armados e encapuzados transitam pela área advertindo os camponeses para saírem das terras ou serão mortos e perderão seus bens, estão tentando impedir que os camponeses colham o arroz que plantaram. Os latifundiários responsáveis são Márcio Volpato Catâneo, Zé Rodrigues e Aparecido.

A área é formada por antigos burareiros, pequenas áreas de terra concedidas pelo Incra nas décadas de 70 e 80 a fazendeiros que passavam a ter o direito de exploração, mas não de posse. Muitos pegaram gordos financiamentos do governo para produzir nas terras, mas a maioria delas não possui uma única benfeitoria, o que retira qualquer direito destes latifundiários sobre as mesmas. Em 2003 o Ouvidor Agrário e o Incra garantiram que as terras seriam dos camponeses, e que poderiam ser ganhas através do crédito fundiário, já que são áreas pequenas e não podem ser desapropriadas.


Viva os 10 anos da heróica resistência camponesa em Corumbiara!
Conquistar a terra, destruir o latifúndio!

Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia - LCP/RO