Latifundiários
mandam polícia censurar o jornal
Resistência Camponesa
No início de fevereiro policiais estiveram em algumas bancas
de jornal em Jaru para recolher o Resistência Camponesa,
jornal que divulga a luta camponesa combativa e circula em vários
municípios do Estado. Os policiais perguntaram aos proprietários
sobre quem entregava o jornal, na banca da rodoviária levaram
11 exemplares. No início deste mês o Major da PM
Enedy Dias de Araújo abriu processo por “calúnia
e difamação” contra dois membros da LCP, Caco
e Camarão além do advogado Dr. Ermógenes
Jacinto de Souza, o major acusa os três como responsáveis
por uma matéria que denúncia seu possível
envolvimento com latifundiários da região. A matéria
foi publicada no Resistência Camponesa n. 8 do mês
de novembro de 2004.
Os
2 companheiros e o advogado foram intimados a depor. Durante o interrogatório
no dia 11 de março, delegado Samir insistiu para que o companheiro
Camarão e o Dr. Ermógenes revelassem onde é
feito o Jornal e quais os membros da LCP eram responsáveis
pelas matérias. A secretária da LCP, Tatiane depôs
sobre pressão do delegado que quis saber nome de pessoas
envolvidas com o jornal, quem financia, quantos são impressos,
de onde vem as matérias. a secretaria disse que as denúncias
vem dos acampamentos e assentamentos e as pessoas não revelam
seus nomes pois não confiam na justiça do latifúndio.
Foram
intimados também pequenos e médios comerciantes que
publicam anúncios no jornal, os policiais queriam saber quem
pagou e quanto pagou por cada anúncio. Na gráfica
onde são impressos os exemplares, os policiais a mando do
delegado Samir tentaram intimidar os proprietários chegando
ao absurdo de exigir que antes do jornal ser impresso teria de passar
primeiro nas mãos da polícia. A dona da gráfica
não deixou se intimidar e disse que apenas faz seu trabalho,
precisa pagar seus funcionários e que está aberta
a qualquer um que a procure.
As
denúncias sobre a ação de bandos armados de
jagunços em conluio com policiais militares a serviço
de latifundiários foram recolhidas junto aos camponeses de
várias áreas que sofreram ataques durante o segundo
semestre de 2004. Elas foram enviadas há 5 meses atrás
ao gabinete do presidente da República, à Secretaria
Nacional de Direitos Humanos, ao Ministério Publico Federal
e Estadual, ao Incra de Rondônia, Ouvidoria Agrária
Nacional. No entanto as denúncias não foram apuradas,
nenhum camponês foi ouvido, nenhum jagunço ou latifundiário
foi preso, nenhum policial foi afastado.
Agora os carrascos querem se fazer passar por vítimas, processam
injustamente os companheiros para abafar as denúncias e atacar
o jornal que como porta voz da luta camponesa combativa trata de
reproduzir as opiniões e reclamos dos camponeses pobres.
Por
que estão atacando a Liga e o jornal Resistência Camponesa?
1).
Porque apesar de toda propaganda que faz o governo federal de
que a economia está crescendo, de que aumentaram os empregos
e de que está empenhado em fazer a reforma agrária,
os números e a realidade demonstram o contrário.
Ou seja, as pequenas e médias empresas estão quebrando,
o desemprego é enorme, os bancos com altos juros e os grandes
empresários são estrangeiros e não existe
reforma agrária nenhuma. Em Rondônia não assentaram
uma família sequer, e o número de camponeses mobilizados
em luta pela terra já passa de 5 mil, sem falar nas 39
mil cadastradas pelo Incra.
2).
Porque o jornal Resistência Camponesa se sustenta
graças à contribuição e esforço
dos camponeses pobres e de pessoas que apóiam nossa luta,
pois sabem que é justa, ao contrário dos grandes jornais
que são mantidos com muito dinheiro do latifúndio.
Por isso os latifundiários estão atacando o jornal,
pois não podem controlá-lo.
3). Porque o jornal abre o olho dos camponeses
em luta pela terra contra as medidas oportunistas e reacionárias,
como, por exemplo, desmascarando o papel sinistro da “Comissão
Paz no Campo” que serve para acobertar os crimes do latifúndio
e criminalizar os camponeses.
4).
Porque querem esconder a corrupção policial e a vinculação
da PM com o latifúndio.
Ora, todos sabem, por exemplo, que em Corumbiara no massacre da
fazenda Santa Elina os latifundiários atuaram livremente
pressionando juízes, conseguindo liminar em tempo recorde
e ofícios, colocando as notícias nos jornais e nos
demais meios de comunicação sempre a seu favor e desqualificando
os camponeses.
Todos
sabem que atuaram pagando o transporte das tropas, fornecendo alimentação,
veículos, infiltrando jagunços junto às tropas.
Na verdade, ficou caracterizado que o massacre foi uma empreitada
particular, financiada por latifundiários, onde a polícia
estava a serviço de fazendeiros e até certo modo sob
o "comando" dos mesmos. Antenor Duarte foi visto no QG
da PM e seu capataz José Paulo Monteiro estava tão
à vontade naquele lugar, que tirou o camponês Sérgio
Rodrigues dentre os presos, jogou-o dentro de uma Toyota e nenhum
policial, oficial, subcomandante ou o comandante, "viu".
Os camponeses viram e denunciaram mas suas vozes foram caladas.
O corpo do companheiro Sérgio foi encontrado dias após
com sinais brutais de tortura.
O Coronel Ventura, responsável pela retirada das famílias
da fazenda, em entrevista, que não permitiu gravação,
comentou sobre as pressões que sofrera naqueles dias. Ele
disse que: protelou ao máximo o cumprimento da determinação
judicial, porém recebeu pressões do juiz, do poder
executivo, via comando geral da polícia militar, do fazendeiro
e de advogados, chegando ao ponto de ser alertado de que seria processado
por desobediência caso não desse cumprimento àquela
ordem.
Os fatos mais recentes também comprovam isso, pois em todas
ações de despejo ou ataques a acampamentos policiais
e jagunços atuam juntos e em geral sob comando dos fazendeiros.
O
major quer censurar o jornal como nos tempos da ditadura militar
Podemos
dizer que o objetivo do processo montado pelo Major Enedy e pelo
juiz é de identificar os companheiros da LCP responsáveis
pela elaboração do jornal para depois prendê-los.
É intimidar os apoiadores para que estes deixem de contribuir
com o jornal dificultando financeiramente a realização
do mesmo. O modo arbitrário, injusto e fascista como atuam
vai contra o Art5. da constituição brasileira que
diz em seu parágrafo IX: “- é livre a expressão
da atividade intelectual, artística, científica e
de comunicação, independente de censura ou licença;”
Conclamamos
a todos os democratas, advogados, intelectuais, professores e jornalistas
honestos, estudantes, pequenos e médios comerciantes a repudiar
a repressão ao movimento camponês em todo o Brasil
e particularmente em Rondônia, repudiar e denunciar as medidas
fascistas e oportunistas aplicadas para deter a luta dos trabalhadores
por melhores condições de vida e de trabalho. Conclamamos
a apoiarem e defenderem a imprensa popular e democrática.
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