Rêsistência
Camponesa
Boletim
da luta dos camponeses pobres do Norte de Minas
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| Januária,
07 de Dezembro de 2005 |
| O
POVO QUER TERRA!
E acabou com 15 anos de corrupção, prevaricação,
desperdício e improdutividade em Januária |
Somos 50 famílias. Camponeses. Camponeses e pescadores,
camponeses e professores, camponeses e plantadores em ilhas, camponeses
e trabalhadores. Todos daqui, de nossa querida Januária.
Sem trabalhar, sem receber. Cansados de tanta miséria,
tanta dificuldade, de ter de ficar parados enquanto milhares de
hectares de terra de nosso município, que nos poderiam
dar fartura, também estavam paradas.
Isso tudo começou a acabar!
A Quinta das Palmeiras, por 15 anos abandonada, agora revive.
De nossas mãos calejadas, de nossa sede de justiça,
na Quinta das Palmeiras nasceu o Acampamento União!
E em menos de dois dias, trator, enxada, e mais de 40 hectares
de roça!
Mesmo os céus devem ter se emocionado, e veio a chuva,
muita chuva!
Mas o ódio dos parasitas e poderosos contra os que vivem
da honestidade; o ódio dos parasitas que se aproveitavam
do vergonhoso descaso do Banco do Nordeste com nosso bem mais
precioso, a terra; o ódio dos que vêem nos pobres
bandidos, tentam nos despejar com repressão.
O Banco do Nordeste, uma decisão do juiz local, e um oficial
de justiça, fazem toda sorte de ameaças, de morte
inclusive, e insistem para que a polícia se utilize da
violência para nos retirar da União da Quinta das
Palmeiras!
Povo de Januária, nos apóie!
Povo de Januária, se junte a nós, na busca por terra
e justiça!
Povo de Januária, não deixemos que nos ataquem covardemente!
Povo de Januária, acabemos de uma vez por todas com os
que, se utilizando do Estado, do que é público,
fazem fortuna nas nossas costas, à nossa vista!
Queremos terra, não repressão!
Vamos lutar, resistir e vencer!
Não
à repressão!
O
gerente do Banco do Nordeste queria sangue. Que os camponeses
saíssem da terra imediatamente. Ele e o Oficial
de Justiça, que recebe mais de R$ 3 mil por mês
como gerente de outra fazenda do Banco do Nordeste, que
também está parada, com o pasto alugado
para políticos da região.
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15
anos de abandono e farra com o dinheiro do povo
Todos
em Januária conhecem. Mesmo vários fazendeiros já
tentaram adquirir a área. Na Quinta das Palmeiras têm
um pivô central completamente podre, não presta para
nada. Já são 15 anos, desde 1991, que as terras da
Quinta das Palmeiras não sabem o que é um grão
de milho, uma semente de abóbora, uma melancia. Umas poucas
cabeças de gado consomem o pasto que teimoso desafia o descaso
e insiste em brotar. Quem fica com o dinheiro do aluguel do pasto?
Será que o Banco do Nordeste pode informar? É um absurdo!
Nós camponeses, sem terra e sem trabalho; e o Banco do Nordeste,
que é um Banco público, do governo federal, com terra
parada há 15 anos! E pior, o Banco do Nordeste joga nosso
dinheiro fora, quando fica 15 anos sem tomar providência,
sem fazer produzir nosso bem mais precioso, que é a terra!
E joga nosso dinheiro fora, quando deixa um pivô central,
que foi comprado com o dinheiro do Estado, apodrecer!
O Banco do Nordeste é o maior latifundiário do Norte
de Minas
Quase todos os latifúndios abandonados no Norte de Minas,
milhares de hectares, têm uma placa do Banco do Nordeste!
Que é um Banco do governo Federal, um governo que prometeu
e diz que faz Reforma Agrária! Mentirosos, hipócritas!
Quantas são as propriedades do Banco do Nordeste paradas
em Januária, em Itacarambi, em Manga? Todos, companheiros,
teríamos terra, se o Banco do Nordeste não prevaricasse
com o dinheiro do povo deixando milhares de hectares parados e maquinários
apodrecendo, enquanto seus funcionários, políticos
e alguns particulares se utilizam de todo esse patrimônio
para enriquecer. |
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1.
O oficial de Justiça, que foi xingando os camponeses
para que saíssem do Acampamento União das Palmeiras,
recebe R$ 3.000,00 pôr mês para gerenciar uma
outra propriedade do Banco do Nordeste, que também
está parada. Será que este senhor não
está utilizando o seu cargo de Oficial de Justiça
para beneficiar seu patrão?
2. O Deputado Cleuber Carneiro aluga pasto para mais de 300
cabeças de gado em uma propriedade do Banco do Nordeste.
3. O Oficial de Justiça, abusando de seu direito de
andar armado, na feira, na frente de policiais, ameaçou
matar um companheiro do Acampamento União.
Não seriam todos esses fatos provas de que querem tirar
violentamente os camponeses da terra para garantir privilégios
desses que, em conluio com a gerência do Banco do Nordeste,
usam o Banco público em benefício de poucos
e ricos? |
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Exigimos:
Justiça! Terra para o povo!
Cadeia para os que dilapidam o patrimônio nacional!
O
Banco do Nordeste pediu reintegração de posse para
o Juiz da Vara local, que a concedeu, ameaçando com repressão
policial os camponeses!
Que posse é essa, senhores, que nunca existiu!
A terra não cumpre função social!
Como um Banco do governo, que conhece a lei e sabe que se trata
de um conflito agrário, faz uma sem-vergonhice desta, usando
de má fé no processo, para que a verdadeira e absurda
situação não seja julgada fora de Januária,
onde o Banco do Nordeste certamente não controla o Oficial
de Justiça?
Quem defende, nesse caso, o interesse público? Os camponeses
que entraram na terra e plantaram, ou o Banco do Nordeste, do governo,
que deixou o pivô central estragar e as terras 15 anos paradas? |
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