25 de julho de 2006

Belo Horizonte, 25 de julho de 2006

Ao Ministério Público de Minas Gerais,

DENÚNCIA DE TORTURA

Solicitamos providências urgentes.

Estamos enviando laudo médico e foto.

José Neres de Souza, brasileiro, camponês, foi injustamente preso, por decisão de um juiz local, que o responsabilizou “pelo clima de insegurança jurídica e a perturbação da ordem pública” que estariam “tomando conta da pacata cidade de Januária”, no Norte de Minas.

O crime de José Neres? Matar, roubar, andar armado, agredir, cometer perjúrio?

Não!

Simplesmente contra argumentar a arrogância de policiais e oficiais de justiça que, desrespeitando as próprias leis do Estado, queriam que, pela intimidação e pelo medo, mais de quatrocentas famílias de trabalhadores e camponeses se retirassem dos lotes que ocupavam, antes completamente abandonados, reivindicando que lhes fosse garantido o constitucional direito a moradia.

José Neres foi preso por crime de opinião!

José Neres foi preso por ter sido a voz dos pobres e despossuídos!

José Neres foi preso por não ter se acovardado!

José Neres foi preso para que o povo abrisse mão de lutar pela terra, para que uma vez mais, tivesse seus direitos pisoteados, e uma vez mais, como nos tempos da escravidão, aprendesse quem é que manda!

Sob intensa pressão na cadeia, José Neres teve seu lado direito paralisado.

Levado ao hospital, foi covarde e humilhantemente algemado na cama.

Isso é tortura!

Que o Ministério Público intervenha imediatamente!

Porque é com tortura que se pretende manter o povo da “pacata cidade de Januária” sem trabalho, recebendo diária de R$10,00 por dia, sem carteira assinada, sem médico, sem terra, sem nada!

Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas