| Belo
Horizonte, julho de 2006
À
Ouvidoria Agrária Nacional
Às organizações de direitos humanos
Urgente
Denunciamos que o camponês Marcelo do Carmo Dias, arrimo de
família, vítima de ação de despejo da
polícia militar de Ariquemes, Rondônia, no Acampamento
Canaã, em Jaru, Rondônia, está preso. Com as
costelas quebradas pelas agressões sofridas, tanto durante
a ação militar quanto depois de preso, sem nenhuma
assistência médica, senão a solidariedade prestada
pelos outros presos de Ariquemes, onde está preso.
Denunciamos que o menor Nilton de Souza, do mesmo acampamento, também
foi espancado pela mesma polícia, e depois de permanecer
mais de 12 horas na delegacia, foi encaminhado para o Conselho Tutelar,
que não apurou nada, apenas o manteve detido por dois dias,
e depois foi lhe ordenado que voltasse para Jaru. Sem nenhum dinheiro
no bolso, o menor foi encontrado pelos seus familiares e pelo advogado
chamado pela família, após ter caminhado mais de 15
km na rodovia que liga Ariquemes a Jaru. Isto depois que a família
aguardou várias horas, pois no Conselho Tutelar não
se tinha informação do paradeiro do menor!
Infâmia, vilania, covardia! Como podem autoridades serem assim
tão cruéis?
Denunciamos a ausência da Ouvidoria Agrária Nacional,
que vem repetida e paulatinamente acobertando o verdadeiro massacre
contra os camponeses pobres e a continuidade da grilagem de terras
no Estado de Rondônia.
Conclamamos a intervenção urgente de todas as organizações
sérias e independentes de defesa dos direitos humanos para
que se somem a esta cobrança.
Durante anos o Incra manifestou aos camponeses que o caso seria
solucionado.
Mas nos últimos dias, diante de uma estapafúrdia liminar
da justiça local, cumprida no dia 19 de julho com recursos
do latifundiário (seus carros foram utilizados para transportar
as famílias violentamente retiradas da terra), o Incra e
a Ouvidoria Agrária sumiram. Esta última enviou um
fax solicitando um tempo para o juiz, e se não somos muito
ingênuos esta correspondência não era mais do
que uma senha para que a covardia fosse levada a cabo.
Cobramos a presença da Ouvidoria Agrária, desacompanhada
dos policiais responsáveis pelas criminosas agressões
cometidas contra os camponeses em Jaru, para atender às famílias
do Acampamento Canaã.
Cobramos o imediato tratamento médico do camponês Marcelo
do Carmo Dias, sua liberdade e o exame independente de corpo delito.
A democracia alardeada por esse governo como existente no país
vem sendo pisoteada pelo conluio do latifúndio com o aparato
repressivo do Estado, enquanto a Ouvidoria Agrária nada faz.
Ou melhor. Distribui ameaças aos camponeses, diante de seu
clamor por terra e justiça!
Cobramos providências!
Comissão Coordenadora das Ligas de Camponeses Pobres
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