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Jaru, 27 de julho de 2006
Carta
aberta aos trabalhadores, camponeses, comerciantes, povo pobre, à
todos os honestos e de bem
Camponeses
do Canaã são torturados
1. No dia 21 de julho, os camponeses Nilton de Souza,
de 17 anos, e Marcelo do Carmo Dias, de 23 anos, foram presos e torturados
por policiais militares de Ariquemes. Os camponeses são do acampamento
Canaã, na linha C-40, distante cerca de 50 Km de Jaru, que foi
despejado no dia 19 de julho. Dois dias depois, Nilton, Marcelo e outros
camponeses foram atacados por policiais próximo ao acampamento.
2. Nilton e Marcelo foram presos
e espancados pelos policiais, foram amarrados e colocados na carroceria
de uma viatura por horas, debaixo de sol quente, enquanto os policiais
almoçavam. Um dos companheiros teve queimaduras no rosto. Nilton
levou choques, Marcelo teve três costelas quebradas e está
com o rosto inchado. A polícia quebrou sua moto para dizer que
eles se machucaram ao cair dela.
3. Eles foram levados para Ariquemes,
Nilton ficou detido no Conselho Tutelar que não apurou nada. Na
segunda feira ele foi solto sem dinheiro e só com um cafezinho
no estômago. No mesmo dia, familiares dele chegaram a Ariquemes,
estavam há três dias sem informação, nem o
delegado, nem o Conselho Tutelar informaram onde Nilton estava. Ele só
foi encontrado pelos familiares na BR-364, voltando para Jaru à
pé, depois de ter andado cerca de 40 Km.
4. Marcelo continua preso e até
ontem não tinha feito exame de corpo delito, nem teve atendimento
médico adequado. Seus familiares exigiram os raios-X que apresentam
as fraturas decorrentes de tortura, mas eles foram destruídos pela
polícia.
5. Mais uma vez a polícia e a imprensa reacionária tentaram
montar uma farsa para incriminar os camponeses dizendo que eles atearam
fogo na sede da fazenda e que atiraram nos policiais. Mentira! A sede
foi atingida pelo fogo criminoso que os policiais colocaram nos barracos
dos camponeses. Querem encobrir as barbaridades que cometeram contra camponeses
trabalhadores. Mas não conseguirão! Não vamos aceitar
tanto absurdo, tanta covardia! Convidamos todos os honestos e de bem para
nos apoiar nesta luta.
6. O acampamento Canaã fica
numa área de 1500 hectares que o latifundiário João
Arnaldo Tucci diz ser o dono, onde só havia capoeirão e
pasto sem gado. Há três anos 170 famílias tomaram
a área, já cortaram 64 lotes, produziram 5.000 pés
de mandioca, 2 alqueires de milho, além de criações.
O próprio Incra afirmava que a terra seria dos camponeses.
7. No dia 17 de julho uma funcionária
do Incra comunicou aos camponeses que havia uma liminar de despejo e nada
poderia ser feito. Depois de tensas negociações, o senhor
Gercino José da Silva, ouvidor agrário nacional, comprometeu-se
a obter a suspensão da liminar de despejo e marcar uma reunião
em agosto para novas negociações. Logo após este
compromisso, no lugar da reunião acertada, os camponeses foram
violentamente despejados. Os policiais militares quebraram seus pertences,
mataram cachorros e 200 galinhas de uma granja do acampamento.
8. A situação continua
tensa, policiais e pistoleiros estão na área, as crianças
não estão indo à escola por falta de segurança.
9. O Incra e a Ouvidoria Agrária
Nacional se esconderam. Está claro a quem eles servem. Desde que
a Ouvidoria foi criada em 2003 pelo governo FMI/PT/Lula, em todas negociações
os camponeses foram expulsos das terras e os latifundiários foram
beneficiados. A repressão policial contra os camponeses é
de responsabilidade da Ouvidoria Agrária.
10.
Tanto absurdo, tanta covardia, tanta repressão não ficarão
em vão! As famílias de camponeses do Canaã necessitam
urgentemente de um pedaço de terra para viver dignamente. A ação
fascista do governo e seu aparato repressivo não diminuem a luta
camponesa. Não resta outro caminho aos camponeses que não
seja seguir lutando em busca de seu direito justo de ter um pedaço
de terra para trabalhar e viver.
Exigimos a imediata libertação
do camponês Marcelo do Carmo, preso político por lutar pela
terra!
Exigimos fim das perseguições e repressão fascista
aos camponeses de Rondônia!
Abaixo a reforma agrária falida do governo FMI/Lula!
Terra, pão, justiça e Nova Democracia!
Viva a Revolução Agrária!
LIGA DOS CAMPONESES POBRES DE RONDÔNIA – LCP
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