Companheiro Alípio de Freitas, Presente na Luta!

jun 14th, 2017 | By | Category: Notícias Recentes

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Resistir é preciso! Esta a consigna de sua vida e título do seu livro onde descreve os anos de resistência nos cárceres do regime civil-militar fascista.

Esse incansável militante da causa da libertação dos povos, o Companheiro Alípio de Freitas, faleceu, na manhã de 13 de junho de 2017, na cidade de Lisboa. 88 anos de resistência e de exemplos de lutas e de dedicação a causa dos mais pobres, dos camponeses e todos explorados.

Imortalizado em uma canção pelo compositor,  poeta, cantor português, Zeca Afonso:

“Baía de Guanabara/ Santa Cruz na fortaleza/ Está preso Alípio de Freitas/ Homem de grande firmeza/

Em Maio de mil setenta/ Numa casa clandestina/ Com a companheira e a filha/ Caiu nas garras da CIA/

Diz Alípio à nossa gente:/ Quero que saibam aí/ Que no Brasil já morreram/ Na tortura mais de mil/

Ao lado dos explorados/ No combate à opressão/ Não me importa que me matem/ Outros amigos virão/

Lá no sertão nordestino/ Terra de tanta pobreza/ Com Francisco Julião/ Forma as ligas camponesas/

Na prisão de Tiradentes/ Depois da greve da fome/ Em mais de cinco masmorras/ Não há tortura que o dome/

Fascistas da mesma igualha/ (Ao tempo Carlos Lacerda)/ Sabei que o povo não falha/ Seja aqui ou outra terra/ 

Em Santa Cruz há um monstro/ (Só não vê quem não tem vista)/ Deu sete voltas à terra/ Chamaram-lhe imperialista/

Diz Alípio à nossa gente:/ Quero que saibam aí/ Que no Brasil já morreram/ Na tortura mais de mil.”

Com uma vida de lutas revolucionária foi primeiro padre pela necessidade de estudar, depois guerrilheiro, jornalista, professor e até o final de sua frutífera vida um militante revolucionário convicto. Português de nascença, sua militância revolucionária o fez brasileiro. Enviado ao Maranhão como padre pela igreja católica, Alípio se ligou profundamente às massas pobres da periferia de São Luis. Se desligou da igreja e se destacou como dirigente das Ligas Camponesas na década de 1960, chegando a ser seu secretário geral. Foi ainda responsável pelo jornal A Liga, órgão da luta camponesa. Com o golpe militar-fascista de 1964, passa à clandestinidade e dirige-se a Cuba, onde planeja voltar ao país e dar prosseguimento à luta revolucionária. É preso em 1970 e passa quase dez anos no cárcere, enfrentando e resistindo às mais brutais torturas.

Membro do conselho editorial do Jornal A Nova Democracia, Alípio de Freitas sempre foi assíduo leitor e ativo colaborador. Mesmo havendo perdido completamente sua visão nos últimos anos, continuava zeloso ao desenvolvimento do jornal, ouvindo atentamente a leitura feita por colaboradores.

Recebeu da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) a distinção de Presidente de Honra de sua organização. Alípio a recebeu com grande entusiasmo.

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Em fevereiro desse ano, Alípio de Freitas promoveu o lançamento da nova edição de seu livro Resistir é Preciso, em Lisboa, ocasião em que foi homenageado por seus 88 anos de luta e resistência que se completaram no dia 17 de fevereiro.

Nos meses de maio e junho desse ano, Alípio vinha recebendo uma série de homenagens prestadas por diferentes organizações de Portugal e participando de debates, conferências e concertos que celebravam uma vida inteira dedicada à luta.

Enfrentou recentes problemas de saúde com firmeza e serenidade, sem interromper sua incessante atividade junto aos movimentos populares, democráticos e revolucionários em Portugal e outros países.

Expressamos os sentimentos da Liga Operária e a convicção de que a luta de Alípio de Freitas e a Resistência continua; abraços à sua inseparável companheira Guadalupe, à sua filha Luanda, familiares, amigos e companheiros!!!

 

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