Desabamento no Buritis: Construtora é culpada!

jul 28th, 2011 | By | Category: Liga Operária, Marreta

Apesar de embargada pela DRT devido as condições precárias e inseguras de trabalho, a Construtora Fontelle continuou a tocar a obra de forma irregular. Mesmo com o prédio desabando parcialmente e por pouco não causando morte de vários operários, o dono da construtora, Hércules Peixoto, permanece impune por esse Estado burguês.

2011, 1979, 1971 e desde muito antes: O massacre de operários continua e a rebelião se justifica!

Faltando dois dias para a marca dos 32 anos de ínicio da histórica e combativa Greve de 1979, 22 anos do desabamento do edifício Jorge Wilson II, no bairro Caiçara e há 40 anos do desabamento do Pavilhão de Exposições da Gameleira; mais um prédio desaba em BH, desta vez no bairro Buritis, região oeste de Belo Horizonte. No momento, 13 operários trabalhavam no local e felizmente nenhum operário morreu ou ficou ferido, pois conseguiram sair antes de serem atingidos. O Sindicato Marreta foi ao local e afirma que esse desabamento é fruto da irresponsabilidade da Construtora Fontelle, responsável por erros de cálculo e planejamento da obra. A obra inclusive estava embargada pelos auditores fiscais do Ministério do Trabalho, desde o dia 22 de fevereiro deste ano; mas a empresa desrespeitando o embargo continuou a tocar a obra de forma encoberta e expondo os operários a riscos, até que ocorre esse desabamento.

Nessas mesmas condições de irregularidades e negligências das construtoras, em 19/setembro/1989, ocorre o desabamento de um prédio na rua Francisco Bicalho,  no bairro Caiçara, matando 5 operários e mutilando e ferindo vários outros 11. O prédio residencial Jorge Wilson II, em fase de conclusão, desmorou totalmente, mais parecendo uma implosão, devido aos péssimos materiais de construção utilizados e de erros estruturais; a placa no canteiro de obras indicava os nomes da Construtora Norteminas, de propriedade do advogado Jorge Wilson Sena dos Santos, e do engenheiro Marcelo Fernandes Costa como responsáveis pelo projeto. Anteriormente, em 4 de fevereiro de 1971, ocorre o maior desabamento da historia da construção em Minas Gerais – o desabamento do Pavilhão de Exposições da Gameleira (hoje o luxuoso Expominas) matando 69 operários, soterrados por toneladas de concreto e mais de 50 outros trabalhadores ficaram mutilados. Inúmeros outros graves “acidentes de trabalho” também ceifaram a vida de operários na cidade, como nas obras do Mineirinho, Mineirão, e mais recentemente no Palácio do Centro Administrativo, etc. e etc. Em todas essas graves irregularidades perdura a impunidade dos donos das construtoras. Esse predomínio da impunidade dos donos das construtoras e seus cumplices e a ganância por lucros cada vez maiores segue perpetrando crimes e ceifando vidas e causando mutilações de operários.

Combativa Greve de 1979 parou BH

No próximo dia 30 de julho celebra-se o Dia dos Operários da Construção de Belo Horizonte. Esta data homenageia a combativa greve de 1979 e o mártir dessa luta, o tratorista Orocílio Martins Gonçalves, covardemente assassinado pela tropa da policia militar, comandada pelo então governador Francelino Pereira. Orocílio foi assassinado com um tiro no peito durante a justa revolta e protesto dos operários, em frente ao ex-campo do Atlético, na Avenida Olegário Maciel (hoje shopping Diamond Mall). Sua morte foi o estopim da maior greve operária já ocorrida em Belo Horizonte. Os patrões e seu governo do estado usaram a repressão como forma de dispersar as mobilizações e intimidar a classe, mas o sangue derramado de Orocílio atiçou a justa ira dos trabalhadores e greve continuou por mais uma semana.

A mesma luta, ontem e hoje

Os operários hoje em Belo Horizonte e todo o país estão submetidos a mesma situação de opressão e exploração que os trabalhadores sofriam naquela época. Baixos salários, péssimas condições de trabalho e constantes “acidentes” são os motivos que levaram milhares de trabalhadores às ruas em luta combativa em pleno regime militar. Hoje podemos ver que enquanto as construtoras estão lucrando milhões às custas do tão falado aquecimento do setor, os operários seguem sofrendo a mesma exploração de décadas atrás.

Só a luta do povo é que pode mudar esta trágica e opressiva realidade

A vigorosa Greve de 1979 que parou Belo Horizonte, assustou os exploradores burgueses, mostrou a força e a revolta de nossa classe, e aponta o caminho da nossa luta atual. Essas condições absurdas de trabalho não podem ser aceitas. Até quando lajes seguirão desabando em cima de operários? Até quando os trabalhadores seguiram recebendo migalhas e com suas vidas expostas?

Nessa data de 30 de julho saudamos o mártir OROCÍLIO MARTINS GONÇALVES, companheiro que tombou lutando em defesa da classe, por melhores condições de vida e de trabalho.

Viva as lutas dos Operários da Construção!

Viva o mártir OROCÍLIO MARTINS GONÇALVES e a Combativa Greve de 1979!

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