NOTA DO MOCLATE CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DAS ESCOLAS EM GOIÁS E A CRIMINALIZAÇÃO DA LUTA POPULAR!

out 25th, 2016 | By | Category: Notícias Recentes

 LUTAR NÃO É CRIME!

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O Movimento Classista dos Trabalhadores da Educação (MOCLATE) repudia a tentativa de privatização das escolas estaduais pelo governador de Goiás (Marconi Perillo – PSDB), que pretende transferir a administração das escolas estaduais para as Organizações Sociais (OS).

No ano de 2015 e início de 2016 o governador já havia tentado realizar esse projeto de privatização das escolas. Os estudantes, professores e apoiadores da luta conseguiram barrar as duas últimas iniciativas do governo estadual. Muita resistência e lutas ocorreram, com ocupações de escolas, manifestações, prisões, mas o povo conseguiu barrar temporariamente a privatização da educação.

O governo recuou devido a intensa resistência das forças populares, mas não desistiu do seu intuito, privatizar a educação pública. Acumulou forças, reestruturou o projeto e veio para uma nova ofensiva. Dessa vez receberam assessoria direta do Banco Mundial, que passou a coordenar de perto todo o processo. Dessa forma, no mês de setembro de 2016 o governador lançou um novo edital para a qualificação das Organizações Sociais. A primeira Organização Social qualificada nesse novo processo, com o sugestivo nome de Grupo Tático e Resgate (GTR), que vai administrar 23 escolas na subsecretaria de Anápolis.

A secretária de educação, Raquel Teixeira, havia marcado a qualificação das Organizações Sociais para o dia 19 de setembro, na sede da própria Secretaria (SEDUCE). Os estudantes marcaram uma manifestação para esse mesmo dia. De forma sorrateira a secretária transferiu a abertura dos envelopes para um local afastado da cidade de Goiânia, Centro Cultural Oscar Niemeyer, mudou a data para o dia 21 e convocou a tropa de choque da Polícia Militar para guarnecer o local.

Os estudantes fizeram várias ações impactantes, que quebraram o falso consenso que o governo, meios de comunicação e empresários haviam tentado construir. Primeiro, os estudantes fizeram uma ocupação da Sede do Conselho Estadual de Educação no dia 17 de setembro. Devido ao serviço de inteligência, que monitora e persegue todos os lutadores da cidade, a repressão ficou sabendo antecipadamente e ficou a postos. Assim que os estudantes, professores e apoiadores ocuparam o prédio, a Polícia Militar interviu com extrema violência, prendendo mais de 50 pessoas. A Associação Brasileira dos Advogados do Povo (ABRAPO) teve um papel relevante, fez defesa e contribuiu para a assessoria jurídica dos presos, levando a soltura dos mesmos.

No dia 19 setembro ocorreu uma grande manifestação pelas principais ruas da cidade de Goiânia, mas o auge da manifestação foi quando todos chegaram à sede da SEDUCE e declararam que não vão aceitar a venda das escolas e os projetos do governo para a educação.

No dia 21 de setembro, dia da qualificação das organizações sociais, surgiram várias manifestações estudantis pela cidade. A mais significativa se deu na rua Rio Verde, que divide Goiânia com Aparecida. Estudantes de três escolas estaduais se reuniram e fizeram um grande protesto, queimando pneus e fechando o trânsito. Em outros pontos da cidade também aconteceram protestos.

O governo endureceu a repressão e começou a caçar os supostos líderes. A polícia secreta da PM (P2) invadiu uma escola e foi até a sala de professores ameaçar o professor Thiago Oliveira Martins, dizendo que ele estava atiçando os estudantes e que estavam de olho no mesmo. Em outra região da cidade, Setor Fim Social, invadiram uma escola e ameaçaram o professor Hober Lopez e alguns estudantes de maneira arbitrária. O professor Hober trabalhava como contrato temporário e foi demitido sumariamente do seu emprego por lutar.

O Movimento Classista dos Trabalhadores da Educação – Moclate – repudia a tentativa de privatização da educação pública estadual e todo o processo de criminalização da luta popular contra as pessoas que lutam. Chamamos todos os lutadores do Brasil a repudiar veementemente a repressão contra o povo goiano realizada pelo governador Marconi Perillo para beneficiar os empresários que querem fazer da educação uma mercadoria.

 

Moclate, Goiânia, outubro de 2016.

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